sábado, 20 de fevereiro de 2016

Ele venceu o crack: meu pai dormiu oito meses no sofá com medo de eu fugir

Renan está sem usar qualquer substância que altere o comportamento há mais de cinco anosGabriel Quintão
“A droga mata, mas esse não é o maior problema. Antes, ela te humilha, você e toda a sua família”. A frase é de alguém que já esteve no buraco, em um lugar que não quer “voltar nunca mais, porque dói”, onde (quase) perdeu tudo e só pode falar do passado graças às mãos que se estenderam há exatos cinco anos, um mês e 13 dias. “Meu nome é Renan Machado, tenho 31 anos, sou um dependente químico em recuperação. Graças à minha família e força de vontade, duas internações domiciliares e grupos de apoio, estou limpo e renovei meu voto de ficar mais 24 horas sem usar”, se apresentou.

Se é para sempre? Renan não pode responder, “a dependência química é para o resto da vida”, diz ele, mas o ex-usuário de drogas – e hoje palestrante e ativista do combate às drogas -não trocaria o “pior dia limpo pelo melhor dia em uso”. Ele é rigoroso com a doença, enquadrada no CID 10 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) – e não “safadeza” como ignorantes podem julgar. “Ela não brinca comigo, não brinco com ela”, disse em tom profundo de quem foi refém do vício em, entre outras substâncias, a pior, o crack. Não era um plano, não foi de repente, mas a luta será eterna.

“Quando eu estava ali fumando maconha, se alguém chegasse para falar de crack, eu falava: ‘nunca, não é para mim, eu só fumo um”.

Renan acendeu o primeiro baseado aos 13 anos, idade marcante, pois foi quando começou a fumar cigarro e a consumir bebidas alcoólicas de forma mais “pesada”. Na época, ele se lembra de ouvir que “maconha era a porta de entrada para o mundo das drogas”, afirmação que hoje diz com confiança não ser verdadeira. “As experimentações de outros tipos de drogas acontecem sob o efeito de álcool”, afirmou com base nos vários relatos de dependentes químicos que fazem parte de seu dia-a-dia e em sua própria experiência: foi a bebida que o levou da erva ao pó, do pó à pedra e da recuperação ao buraco. É a pior droga e a mais banalizada, na opinião dele.Por outro lado, 95% das pessoas internadas em clínicas de reabilitação por uso de crack, já fumaram maconha, disse. E nenhuma delas gostaria de ter vivido o que viveu. Naquela tarde de surf que Renan ficou sem jeito de falar “não” para a rapaziada, mal imaginava o que aconteceria nos anos seguintes. “Por que eu fumei? Porque tive acesso”, contou ele que na época era até meio perdido sobre o que era um baseado. O “não pega nada” entrou rápido na rotina de Renan e fumar um passou a hobby favorito.

“Vamos jogar bola? Vamos, mas vamos fumar um antes. Se eu não arrumasse maconha, não viajava. Fazer o que na praia sem droga?”

Renan fez o que chama de “amigos de droga”, a rapaziada que se junta para queimar um. Ele não tinha contato na biqueira e o jeito era ficar perto desses camaradas que faziam o leva e traz. Mas não demorou a ficar difícil depender de outras pessoas para conseguir um baseado. “Aí eu pedi, ‘me leva lá’, ‘me apresenta’. Comecei a comprar a minha própria droga”, contou. O grupo de “amigos de droga” cresceu e quando Renan estava com 16 anos, um deles ofereceu o primeiro “tiro”. “Estava bêbado em uma balada e eles tinham um papelote de cocaína. ‘Vamos? ’ ‘Bora! ’”, já sem qualquer “moderação” por conta do efeito do álcool. A progressão da dependência química acelerou.
Ele demorou mais de um ano para voltar a ter a chave de casa
Gabriel QuintãoEle demorou mais de um ano para voltar a ter a chave de casa
Da cocaína, vieram ecstasy, LSD, chá de cogumelo, chá de lírio, mesclado, lança-perfume, cola, thinner, esmalte e o crack, listou Renan. “Não posso afirmar que todo mundo que fumar maconha vai chegar ao crack, acabar com a vida, chegar cagado e mijado em casa com risco de matar pai e mãe para comprar droga. Mas quando o ‘eu preciso’ fica mais forte, sai da frente”, lembrou-se de quando as coisas saíram do controle.  Apartamento e restaurante com ação de despejo, a esposa que não se relacionava mais, os choros de desespero no quarto da empregada, nada impedia a fissura de colocar Renan no carro na madrugada para buscar mais pedras.

“Passei por humilhações morais, cenas muito tristes, de pegar a droga e não segurar o organismo”.

Um dia ele juntou forças para dividir o problema com alguém, a esposa. “Ela me deu a melhor ajuda naquele momento, fez as malas e levou o nosso filho”, contou. Mas Renan não estava sozinho: a mãe, o pai e as três irmãs se uniram para monitorar 24 horas uma internação domiciliar. “Meu pai dormiu no sofá perto da porta por oito meses com medo de eu fugir no meio da noite”, lembrou com gratidão. Renan melhorou, estava se sentindo forte e começou a trabalhar em uma imobiliária, tudo estava bem, ele pensava. Renan pode ir a comemorações da empresa, voltou a sair sozinho de casa e até a beber “com moderação”.
Renan ex-viciado em drogas
Gabriel QuintãoRenan cresceu no bairro Casa Verde, em São Paulo, onde ele perdeu tudo, se reergueu e vive uma vida feliz
tabela_relatoAs coisas estavam indo tão bem que os pais de Renan decidiram viajar no final do ano, e ele ficou para cumprir com os compromissos do trabalho. Mas se a dependência química pode ser tratada em 60 dias, a psicológica não tem cura, precisa de manutenção constante. Eles não sabiam. Na cabeça de Renan se repetia: “foi o crack que me jogou na sarjeta, posso tomar uma cervejinha”. Ele tomou uma, duas, três, até perder as contas, em um bar em frente de onde morava, e continua a viver. Foi quando um dos “amigos de droga” chegou e fez o convite para fumar três pedras de crack. “Pum!”. Renan teve uma recaída.
 Naquele momento, Renan não tinha estado emocional para se importar com os sentimentos da família. Ele estava doente, estava tendo uma crise da doença. Mas, mais uma vez, a família se uniu para a segunda internação domiciliar. Dessa vez, Renan se armou de tudo o que podia para lutar contra a dependência: palestras, grupos de apoio, psicólogos e estudo. “Descobri que eu tinha uma doença, que não era sem-vergonhice, comecei a estudar, surgiu a oportunidade de dar palestras e a coordenar o grupo de apoio Amor Exigente, que atende dependentes e familiares no Brasil todo.

“Ver meu filho chorar sem parar e dizer: ‘estou chorando de felicidade porque você está comigo de novo’, não tem nada que pague isso”.

As recompensas da recuperação são inúmeras e é por saber o quão obscuro o mundo do crack é que Renan se apega cada vez mais ao combate às drogas. A única arma, segundo ele, é a informação técnica sobre as substâncias e como elas agem no organismo, projeto que começa com crianças a partir dos 11 anos de idade. “Você aprende português e matemática na escola, a ter educação, em casa, e o que é droga, nas ruas”, disse. Renan atacou a crença de que experimentar uma droga é opção: “é uma escolha justa se eu não sei aonde esse caminho vai me levar? Posso dizer que eu não sabia. Foi uma escolha justa para mim?”, questionou.
Precisa de ajuda? A organização Amor Exigente tem unidades em todo o país e oferece apoio a dependentes e familiares:

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Saúde

Para ter controle, dependente alcoólico deve ter monitoramento por toda a vida

divulgação

No Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo, datado em 18 de fevereiro, a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade orienta sobre problemas físicos e sociais de pessoas que abusam de bebidas alcoólicas
da redação | 18-02-2016 06:23:19
O alcoolismo é uma dependência química e, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os níveis seguros de consumo de álcool são de três doses por dia para homens, não excedendo 15 doses semanais; e duas doses por dia para mulheres, não excedendo 12 doses semanais. Uma dose equivale uma lata de cerveja, 140ml de vinho ou 20ml de destilado. Pessoas que bebem até 56 doses semanais são consideradas bebedores problema, acima disso já é classificado como dependente químico.
“A pessoa dependente de álcool (ou mesmo o que abusa) pode ter problemas sociais, perda de produtividade laboral, conflitos familiares e acidentes, principalmente no trânsito. O álcool está associado a maior incidência de neoplasias de trato digestivo, a cirrose hepática, a hemorragia digestiva. Pode ser causa de distúrbios comportamentais e levar e perda cognitiva”, explica Hamilton Wagner, médico de família, membro da Sociedade Brasileira de Família e Comunidade (SBMFC).
O médico de família pode fazer o diagnóstico de situações de risco e identificar os pacientes dependentes, além de promover medidas educativas e tratar os casos passíveis de manejo ambulatorial. Wagner complementa que não há cura de dependência química, apenas controle. Se alguém tem problemas com álcool deve abster-se do mesmo pelo resto da vida. São raros os casos em que um alcoolista consegue voltar a um consumo social do álcool. “É necessário monitorar e apoiar paciente e famílias que apresentam este tipo de problema, há uma forte tendência familiar para repetir este tipo de padrão”, explica o médico que atua no Paraná.
Quem é o médico de família e comunidade (MFC)?
A medicina de família e comunidade é uma especialidade médica, assim como a cardiologia, neurologia e ginecologia. O MFC é o especialista em cuidar das pessoas, da família e da comunidade no contexto da atenção primária à saúde. Ele acompanha as pessoas ao longo da vida, independentemente do gênero, idade ou possível doença, integrando ações de promoção, prevenção e recuperação da saúde. Esse profissional atua próximo aos pacientes antes mesmo do surgimento de uma doença, realizando diagnósticos precoces e os poupando de intervenções excessivas ou desnecessárias. 
É um clínico e comunicador habilidoso, pois utiliza abordagem centrada na pessoa e é capaz de resolver pelo menos 90% dos problemas de saúde, manejar sintomas inespecíficos e realizar ações preventivas. É um coordenador do cuidado, trabalha em equipe e em rede, advoga em prol da saúde dos seus pacientes e da comunidade. Atualmente há no Brasil mais de 3.200 médicos com título de especialista em medicina de família e comunidade.
18 de Fevereiro - A parceria de recuperação

"Desde que eu tenha calma e assuma um compromisso com o meu Poder Superior para fazer o melhor que possa, sei que algo vai hoje cuidar de mim."
Basic Text II, p. 120

Muitos de nós sentem que o compromisso fundamental em recuperação é para com o nosso Poder Superior. Sabendo que nos falta o poder para nos mantermos limpos e recuperarmos sozinhos, entramos numa aliança com um Poder superior a nós. Comprometemo-nos a viver nos cuidados do nosso Poder Superior e, em troca, somos guiados por ele. Esta parceria é vital para nos mantermos limpos. Conseguir ultrapassar os primeiros dias de recuperação parece quase sempre ser a coisa mais difícil que já fizemos. Mas a força do nosso compromisso para com a recuperação e o poder do cuidado de Deus são suficientes para nos levar para a frente, só por hoje.
A nossa parte nesta relação é fazermos o melhor que pudermos em cada dia, vivendo e fazendo o que tivermos de fazer, aplicando os princípios de recuperação o melhor que pudermos. Prometemos fazer o melhor que podemos - não fingindo, não tentando ser super-homens, mas simplesmente fazendo o trabalho - base de recuperação. Ao cumprirmos a nossa parte desta parceria de recuperação, sentimos o cuidado do nosso Poder Superior.

Só por hoje: Vou cumprir o meu compromisso na parceria com o meu Poder Superior.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Câmara critica atendimento para dependentes químicos

 
A propósito de uma discussão sobre moradores de rua e dependentes de álcool e drogas em Sorocaba, vereadores fizeram ontem críticas às políticas públicas da Prefeitura voltadas para esse setor. A discussão começou quando o vereador Rodrigo Manga (PP) subiu à tribuna para informar que a Comissão de Dependência Química da Câmara identificou 542 moradores de rua em 18 pontos (praças e vias públicas) de Sorocaba. Segundo Manga, esse número é 55% maior se for levado em conta o levantamento feito em julho de 2015 pela Secretaria de Desenvolvimento Social, que havia identificado 350 moradores de rua na cidade. Ele lembrou que muitos dos moradores de rua têm problemas com vícios de álcool e drogas.
  Na avaliação de Manga, esse crescimento mostra que as políticas para o setor não funcionam porque a estrutura existente não é capaz de dar o devido atendimento. Ele disse que as duas unidades do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de álcool e drogas, em vez de aguardarem a procura por parte dos carentes, precisariam ir até eles. Uma unidade está localizada na Vila Angélica, na zona norte, e outra, no centro da cidade. Manga afirmou que no ano passado levou a necessidade de mudança de atuação ao prefeito Antonio Carlos Pannunzio (PSDB) e à vice-prefeita e secretária de Desenvolvimento Social, Edith Di Giorgi, mas ouviu como explicação que os Caps seguem legislação federal.
 


Efeito do Facebook sobre o
cérebro é semelhante ao da cocaína. https://t.co/4qhx0p6cZc

17 de Fevereiro - Levar a mensagem, não o adicto
"Podemos analisá-lo, aconselhá-lo, podemos rezar por ele, tentar ser razoáveis, podemos ameaçá-lo, sová-lo, ou aprisioná-lo, mas ele não irá parar enquanto não quiser parar."
Texto Básico, p. 74
Uma das verdades mais difíceis que temos de enfrentar na nossa recuperação talvez seja a de que somos tão impotentes perante a adicção de alguém quanto o somos perante a nossa própria. Podemos pensar que, porque tivemos um despertar espiritual nas nossas vidas, deveríamos ser capazes de persuadir outro adicto a encontrar recuperação. Mas há limites para aquilo que podemos fazer para ajudar outro adicto. Não podemos forçá-los a parar de usar. Não podemos dar-lhes os resultados dos passos ou crescer por eles.
Não podemos tirar-lhes a solidão e a dor. Não há nada que possamos dizer para convencer um adicto assustado a trocar a miséria familiar da adicção pela incerteza assustadora da recuperação. Não podemos entrar na pele de outras pessoas, mudar os seus objectivos, ou decidir o que é melhor para eles. No entanto, se nos recusarmos a tentar exercer esse poder sobre a adicção de alguém, podemos ajudá-lo. Eles podem crescer se os deixarmos enfrentar a realidade, por muito dolorosa que seja. Eles podem tornar-se mais produtivos, de acordo com o seu próprio conceito, desde que não tentemos fazê-lo por eles.
Eles podem tornar-se a autoridade das suas próprias vidas, se nós formos apenas autoridades nas nossas. Se conseguirmos aceitar tudo isto, podemos tornar-nos aquilo que é suposto sermos - portadores da mensagem, não do adicto.
Só por hoje: Vou aceitar que sou impotente, não apenas perante a minha própria adicção, mas também perante a adicção de todos os outros. Vou levar a mensagem, não o adicto.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Usado como moeda de troca para o sexo, crack impulsiona a contaminação pelo HIV

Taxa de usuárias da droga infectadas é 20 vezes maior que a da população em geral



Cristina Horta/EM/D.A Press
Morador eventual da cracolândia da Rua Itapecerica, no Bairro da Lagoinha, o soropositivo Davi*, de 48 anos, sabe que é portador do vírus HIV há mais de 10 anos e não usa camisinha nas relações sexuais com mulheres, sendo que muitas delas cedem o corpo em troca de pedras de crack. Se a incidência de pessoas vivendo com HIV/Aids é de 0,4 a cada 100 mil habitantes no país, entre os craqueiros, a proporção é mais de 12 vezes maior, atingindo cinco a cada 100 mil. Entre as mulheres que usam a droga, devido à exigência de dispensar o preservativo para trocar sexo por pedra, a taxa alcança oito a cada 100 mil craqueiras, ou seja, número 20 vezes superior à média da população em geral, segundo os últimos estudos do Ministério da Saúde.           Se os números são preocupantes, a realidade do crack associada à disseminação pelo HIV é ainda mais desafiadora. Na prática, não se pode acusar o dependente químico viciado em pedra de estar contaminando outras pessoas de propósito. Nessa população, leva-se em consideração a comorbidade da dependência química para isentar da culpa o craqueiro, que está com seu estado de consciência alterado, e, pelo mesmo motivo, poderá não ter forças para aderir a um tratamento anti-HIV e dar continuidade a ele, ingerindo as cápsulas antirretrovirais diariamente.
Em uma novela televisiva, a atriz Grazi Massafera comoveu quem assistiu à jornada da personagem que se viciou na pedra, com cenas reais gravadas na cracolândia de São Paulo, mostrando a depauperação física e mental da mulher e sua flagrante humilhação até o momento do clímax em que ela oferece o seu corpo, o único bem disponível, para se livrar da fissura do crack. “Para quem não toma o medicamento, a Aids continua sendo exatamente igual ao que era antes. Não fazemos milagres. O governo federal e mesmo as autoridades locais não têm condições de entrar nas cracolândias, abrir a boca do paciente e enfiar dentro o remédio todos os dias”, desabafa Fábio Mesquita, diretor do Departamento de DST/Aids do Ministério da Saúde.
Signatária das Metas do Milênio da Organização das Nações Unidas (ONU), Belo Horizonte está bem perto de atingir o objetivo de que, até 2020, 90% das pessoas vivendo com HIV estejam diagnosticadas e, destas, 90% já estejam em tratamento, entre as quais 90% com a carga viral controlada ou indetectável. “Lógico que ainda temos muitos desafios pela frente, em função das fragilidades psíquicas e sociais dos nossos pacientes”, defende a médica do Eduardo de Menezes Tatiani Fereguetti, coordenadora do Programa Municipal de Atenção às DSTs, Aids e Hepatites Virais.
Com base nos parâmetros relatados no parágrafo anterior, os últimos números mostram que, das aproximadamente 10 mil pessoas vivendo atualmente com HIV na capital mineira, 88% já estão diagnosticadas e, destas, 94% iniciaram o tratamento, superando, portanto, a meta da ONU de 90%, quatro anos antes do prazo marcado. Dessas 94% em tratamento, 88% estão com a carga viral controlada. “BH se destaca em relação ao restante do país e até do mundo, oferecendo testes rápidos nas UPAs, centros de saúde e maternidades públicas da cidade. Uma vez que se trata o HIV, a chance de transmitir o vírus é menor, então, tratar também é uma estratégia de prevenção”, compara a médica, lembrando ainda a distribuição de preservativos, gel lubrificante e camisinhas aromatizadas para estimular o sexo oral seguro.
Para tentar incluir as restantes 1,2 mil pessoas sem diagnóstico do HIV/Aids, Tatiani Fereguetti explica que a próxima estratégia do BH de Mãos Dadas contra a Aids, programa municipal que completou 15 anos em dezembro, será treinar e capacitar jovens para trabalhar entre seus pares, prostitutas em seus locais de prostituição, travestis e transexuais, de maneira que a informação chegue à fonte com a linguagem desejada, sem subterfúgios.
Cruzada por reparação judicial
Ao receber o diagnóstico da boca do próprio namorado, André* diz ter perdido o chão. Sentiu-se traído, mas teve a sorte de ter sido orientado pela médica do posto de saúde a buscar o prontuário do parceiro, na região onde o mesmo deveria ter feito o exame anti-HIV. Aos poucos, com alguma frieza e talento para investigação, foi descobrindo que o companheiro havia sido garoto de programa no passado recente e mais: que sabia do próprio diagnóstico, ao contrário do que havia jurado. “A partir daquele dia, eu o desamei. Mas consegui ficar ao lado dele até reunir todos os papéis para entrar na Justiça contra ele por danos morais. Meu sonho é estar diante dele mais uma vez nos tribunais e dizer: eu te perdoo por não me contar, mas não te isento da culpa.”
Na grande maioria dos casos, a criminalização do contágio não costuma ser incentivada pela classe médica especializada em infectologia. “Na verdade, a não ser em caso de estupro ou de violência doméstica, pressupõe-se que uma relação sexual seja consensual e que, portanto, ambas as partes tenham confiança uma na outra. Não faz sentido criminalizar, se os dois concordaram em abrir mão do uso da camisinha”, pontua a médica Tatiani Fereguetti.
Segundo o infectologista Dirceu Grecco, a relação se equipara à da mulher que se previne tomando pílulas, mas acaba engravidando. A probabilidade de contrair o HIV em relações aleatórias, saindo por uma noite com um desconhecido, é de uma a cada 400 pessoas em Belo Horizonte, tomando por base as taxas atuais de infecção. “Você pode tentar processar o parceiro, mas ele, na verdade, só confiou na pessoa errada, como as meninas que ficam grávidas dizendo que tomavam pílulas”, acredita o médico, que insiste que a única maneira concreta de se prevenir contra o HIV e outras DSTs é usando o método de barreira, ou seja, a camisinha, hábito mais disseminado entre casais homossexuais.
Nosso personagem André mantém sua cruzada pessoal tentando incriminar o ex-namorado por ter atentado contra a vida dele ao ter consciência de que era portador de um vírus letal e omitir a informação. Para juntar provas, André abriu inquérito na Polícia Civil, juntou os exames do posto de saúde e foi orientado pela Defensoria Pública de Minas Gerais a entrar com pedido de união estável com o parceiro, seguido da dissolução da união estável, como forma de comprovar o vínculo. Para demonstrar que seu comportamento não era promíscuo, conforme lhe foi exigido, juntou aos autos os testes de HIV realizados três meses antes, ao fazer um procedimento cirúrgico estético. “Ainda hoje tenho sonhos com ele e nesses três anos não consegui me envolver com mais ninguém. Na época, ele poderia ter aberto o jogo e me dito: estou te amando, mas sou soropositivo e não sei como resolver isso. Eu juro que teria aceitado.”
Arte EM


6 de Fevereiro - Sentimentos de fé

"Quando nos recusamos a aceitar a realidade de hoje, estamos a negar a fé no nosso Poder Superior: Isto só pode trazer-nos mais sofrimento."
IP nº 8, Só por hoje

Há dias que não correm como gostaríamos. Os nossos problemas podem ser tão simples como um atacador solto ou termos de estar na fila do supermercado. Ou podemos estar a passar por algo mais sério, tal como perder o emprego, a casa ou um ente querido. Seja o que for, muitas vezes acabamos à procura de uma forma de evitar os nossos sentimentos, em vez de simplesmente reconhecermos que esses sentimentos são dolorosos. Quando parámos de usar, ninguém nos prometeu que tudo iria correr como nós gostaríamos. De facto, podemos ter a certeza de que a vida vai continuar, quer estejamos a usar ou não.
Iremos ter dias bons e dias maus, sentimentos confortáveis e sentimentos dolorosos, mas já não precisamos de fugir deles. Podemos sentir dor, perda, tristeza, raiva, frustração - todos esses sentimentos que evitámos com as drogas. Descobrimos que podemos ultrapassar essas emoções limpos. Não iremos morrer e o mundo não irá acabar só porque temos sentimentos desconfortáveis. Aprendemos a acreditar que podemos sobreviver àquilo que cada dia nos trouxer.

Só por hoje: Vou demonstrar a minha confiança em Deus, vivendo o dia tal como ele é.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Ator de Brasília conta sua história com o HIV no musical 'Boa Sorte'

Ator de Brasília conta sua história com o HIV no musical 'Boa Sorte'

Projeto fotográfico com modelos nus chama atenção para o diálogo sobre HIV

Projeto fotográfico com modelos nus chama atenção para o diálogo sobre HIV
5 de Fevereiro - Um despertar do espírito


"A última coisa que esperávamos era um despertar do espírito."
Foram poucos de nós os que chegaram à primeira reunião de Narcóticos Anônimos ansiosos por fazer um inventário pessoal ou acreditando que havia um vazio espiritual nas nossas almas. Não tínhamos qualquer noção de que estávamos prestes a embarcar numa viagem espiritual que iria acordar os nossos espíritos adormecidos. Como um despertador barulhento, o Primeiro Passo traz-nos um estado de semiconsciência - apesar de, nesta altura, podermos não ter a certeza se queremos sair da cama ou continuar a dormir só mais cinco minutos. A mão suave que nos abana o ombro à medida que aplicamos o Segundo e Terceiro Passos faz-nos levantar, espreguiçar e bocejar.
Precisamos de esfregar os olhos para escrever o Quarto Passo e partilhar o nosso Quinto. Mas, conforme vamos trabalhando o Sexto, Sétimo, Oitavo e Nono Passos, começamos a notar uma nascente no nosso caminho e o esboço de um sorriso nos nossos lábios. Os nossos espíritos cantam no duche, quando fazemos o Décimo e o 11° Passos. E então praticamos o 12°, deixando a casa em busca de outros para acordar. Não precisamos de passar o resto das nossas vidas em coma espiritual. Podemos não gostar de nos levantar de manhã mas, uma vez fora da cama, ficamos quase sempre contentes por o termos feito.

Só por hoje: Vou usar os Doze Passos para despertar o meu espírito adormecido.
OPINIÃO
 
Domingo, 14 de Fevereiro de 2016, 11h:27
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Transmitir HIV (aids) é crime

Odilon de Oliveira
Odilon de Oliveira – Juiz Federal
O ponto de vista anterior abordou preconceito contra portadores do vírus HIV e doentes de AIDS. O simples portador tem o vírus, mas os sintomas ainda não se manifestaram. Passa a ser doente de AIDS o portador que sofre dos sintomas. A lei 12.984/2014 define o crime de preconceito em relação a qualquer das duas situações.
O portador ou o doente que, com a intenção de transmitir o vírus, pratica relação sexual ou qualquer outro ato, comete crime grave, previsto no artigo 129, § 2º, II, do Código Penal, ficando sujeito a prisão de dois a oito anos. Trata-se de ofensa a saúde de outrem, resultando não só perigo de vida, mas enfermidade incurável. A ciência, conquanto tenha encontrado tratamento, ainda não descobriu a cura da AIDS. A doença não é apenas grave, mas incurável também.
O Superior Tribunal de Justiça, em 2012, decidiu desta maneira: “na hipótese de transmissão dolosa de doença incurável, a conduta deverá será apenada com mais rigor do que o ato de contaminar outra pessoa com moléstia grave, conforme previsão clara do art. 129, § 2.º inciso II, do Código Penal. A alegação de que a Vítima não manifestou sintomas não serve para afastar a configuração do delito previsto no art. 129, § 2, inciso II, do Código Penal. É de notória sabença que o contaminado pelo vírus do HIV necessita de constante acompanhamento médico e de administração de remédios específicos, o que aumenta as probabilidades de que a enfermidade permaneça assintomática. Porém, o tratamento não enseja a cura da moléstia”.
Quem tem o vírus (HIV) ou doença (AIDS) deve se conscientizar de que a solução não é a disseminação criminosa do mal. A resignação e o controle emocional fazem bem ao próprio e às pessoas em geral. Há medicamentos que controlam a doença, o que proporciona ao paciente uma vida praticamente normal, desde que siga a prescrição médica.
Com AIDS ou sem ela, o ser humano deve ser, na terra, um instrumento de transformação de si próprio e da vida dos outros. Uns têm AIDS, outros têm câncer ou outra doença grave. Uns têm as pernas, outros não. Uns são cegos, outros enxergam. Eu devo me aceitar como sou, feio ou bonito, alto ou baixo. A melhor qualidade é aquela que cada um de nós carrega no seu coração.
Tu és apenas um inquilino da casa onde mora, ainda que tua seja. És inquilino da humanidade. Tua vida e a dos outros não pertencem a ti. Logo, és inquilino também da vida que Deus te deu: “todos vão para um lugar: todos são pó, e todos ao pó tornarão” (Eclesiastes 3:20).

*Juiz Federal Odilon de Oliveira

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Trabalhos voltados à Atenção Primária, Secundária e Acessoria em Dependência Química. E-Mail:dubranf@gmail.com

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