sábado, 27 de fevereiro de 2016


27 de Fevereiro - Motivos "puros"
"Examinamos as nossas ações, reações e motivos. Por vezes descobrimos que temos estado a fazer melhor do que nos temos sentido."

Imaginem um livro de meditações diárias com este tipo de mensagem: "De manhã, quando acordares, antes de te levantares da cama, pára para refletir. Deita-te, reúne os teus pensamentos, e considera os teus planos para o dia. Um a um, verifica os motivos por detrás desses planos. Se os teus motivos não forem inteiramente puros, vira-te para o outro lado e volta a dormir." É um disparate, não é? Não importa há quanto tempo estamos limpos, quase todos nós temos motivos diferentes por detrás de tudo o que fazemos.
Isso não é contudo razão para deixar as nossas vidas em suspenso. Não temos de esperar que os nossos motivos se tornem completamente puros para começarmos a viver a nossa recuperação. A medida que o programa vai entrando nas nossas vidas, começamos a atuar menos sobre os nossos motivos mais questionáveis. Fazemos regularmente um exame a nós mesmos e falamos com o nosso padrinho ou madrinha sobre o que encontramos.
Rezamos pelo conhecimento da vontade do nosso Poder Superior para nós e procuramos as forças para agir conforme o conhecimento que nos é dado. O resultado? Não nos tornamos perfeitos, mas a verdade é que melhoramos. Iniciamos a prática de um programa espiritual. Nunca iremos tornar-nos gigantes espirituais, mas se olharmos realisticamente para nós próprios, se calhar vamos aperceber-nos de que temos estado a fazer melhor do que nos temos sentido.

Só por hoje: Vou olhar para mim de forma realista. Vou procurar a força para agir nos meus melhores motivos, e para não atuar sobre os piores.

Jovens da área de saúde se reúnem em Brasília para curso de formação de novas lideranças em HIV/Aids

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Ao todo foram selecionados 40 jovens. “A juventude é fundamental para a luta que o Brasil e mundo travam contra a epidemia de HIV/Aids. Cidadania e direitos humanos contribuem para o pleno alcance do desenvolvimento”, destacou o representante do UNFPA no Brasil, Jaime Nadal.
Jovens se reúnem em Brasília para o 3º Curso de Formação de Novas Lideranças das Populações-chave Visando o Controle Social do Sistema Único de Saúde. Foto: UNFPA/Mariana Tavares
Jovens se reúnem em Brasília para o 3º Curso de Formação de Novas Lideranças das Populações-chave Visando o Controle Social do Sistema Único de Saúde. Foto: UNFPA/Mariana Tavares
Teve início nesta terça-feira (23) a terceira edição do “Curso de Formação de Novas Lideranças das Populações-chave Visando o Controle Social do Sistema Único de Saúde” no âmbito do HIV/Aids, evento apoiado pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) em parceira com o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde e com três agências ONU: UNAIDS, UNESCO e UNICEF.
Ao todo foram selecionados 40 jovens profissionais e estudantes que atuam na área da saúde e buscam ser protagonistas na resposta nacional à epidemia de HIV/Aids, fortalecendo a sociedade civil e a juventude.
O representante do UNFPA no Brasil, Jaime Nadal Roig, participou da mesa de abertura ressaltando a importância da abordagem sobre o direito à saúde sexual e reprodutiva como um importante recurso para o combate a epidemia de HIV/Aids.
“A juventude é fundamental para a luta que o Brasil e mundo travam contra a epidemia de HIV/Aids. Cidadania e direitos humanos contribuem para o pleno alcance do desenvolvimento. O UNFPA se sente muito honrado em fazer parte de uma iniciativa como esta, voltada para jovens lideranças”, destacou Nadal.
Georgiana Braga-Orillard, diretora do UNAIDS no Brasil, afirmou que o debate sobre HIV/Aids com a juventude precisa mudar. “Nós precisamos saber falar com a juventude de hoje. Passamos 30 anos falando com a juventude de tempos atrás, mas hoje é diferente. Esta iniciativa é uma possibilidade de estreitar essa relação com os jovens.”
Para Fábio Mesquita, diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, essa é mais uma edição do curso que busca engajar a juventude em uma tema de interesse da população jovem, bem como do governo. “Com uma epidemia que cresce a cada dia entre jovens, dar espaço para o protagonismo juvenil está entre as principais ações de combate”, disse. “Este evento não seria possível sem a parceria das agências da ONU. Ficamos gratos como apoio e a parceria com o UNFPA.”
Afim de dar visibilidade aos jovens, o curso conta com a presença de participantes das edições passadas do curso como palestrantes. O Curso de Formação de Novas Liderança ocorre entre os dias 23 a 27 de fevereiro.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Ciência e Tecnologia

Grupo Pela Vidda-RJ realiza testagem rápida de HIV gratuita no Rio

Desta quarta (24) até sexta, 26 de fevereiro, o Grupo Pela Vidda-RJ fará, em sua sede, testagem rápida por fluido oral para o vírus HIV, gratuitamente.
A ação acontecerá as 14h às 19h e visa atingir, principalmente, aos jovens e à população LGBT. Os participantes contarão com aconselhamento pré e pós teste, com voluntários que dão apoio emocional e educativo, para troca de informações sobre HIV/Aids, suas formas de transmissão, prevenção e tratamento.
O Pela Vidda-RJ foi fundado há mais de 26 anos e foi o primeiro fundado por pessoas vivendo com HIV/Adis. Desde então, trabalha pela integração, valorização e dignidade dessas pessoas. O grupo fica na Av. Rio Branco, nº 135, grupo 709, no Centro do Rio de Janeiro.
De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde em dezembro de 2015, a taxa de detecção entre jovens de 15 à 19 anos praticamente triplicou entre 2005 e 2014.
Mais informações: 25181997 ou gpvrj@pelavidda.org.br. 

25 de Fevereiro - Tão doentes quantos os nossos segredos
"Seria trágico escrever o nosso inventário e depois guardá-lo numa gaveta. Estes defeitos crescem no escuro e morrem quando são expostos."

Quantas vezes é que ouvimos dizer que somos tão doentes quanto os nossos segredos? Embora muitos membros decidam não partilhar nas reuniões os pormenores íntimos das suas vidas, é importante que cada um de nós descubra o que é que funciona melhor connosco. E aqueles comportamentos que trouxemos para recuperação e que, se descobertos, nos envergonhariam? Até que ponto é que nos sentimos confortáveis em nos expor, e a quem? Se nos sentimos desconfortáveis a partilhar nas reuniões alguns pormenores das nossas vidas, para quem é que nos viramos então? Encontrámos a resposta a estas perguntas no apadrinhamento.
Apesar da relação com um padrinho ou madrinha demorar tempo a construir, é importante que vamos ganhando confiança suficiente com o nosso padrinho ou madrinha para sermos completamente honestos. Os nossos defeitos só têm poder enquanto permanecerem escondidos. Se quisermos ser libertos desses defeitos, temos de os expor. Os segredos só são segredos até os partilharmos com outro ser humano.

Só por hoje: Vou pôr os meus segredos a descoberto. Vou praticar a honestidade com o meu padrinho ou madrinha.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016


23 de Fevereiro - Mensagens e mensageiros
"0 anonimato é o alicerce espiritual de todas as nossas tradições, lembrando-nos sempre a necessidade de colocar os princípios acima das personalidades."



A 12ª Tradição lembra-nos da importância de colocar "os princípios acima das personalidades". Nas reuniões de recuperação isto pode ser lido de outra forma: "não tires o inventário ao mensageiro". Muitas vezes confundimos a mensagem com o mensageiro e ignoramos o que alguém tem para partilhar numa reunião, por termos conflitos de personalidade com essa pessoa. Se estamos a ter problemas com o que certa pessoa tenha para partilhar, poderemos querer procurar a orientação do nosso padrinho ou madrinha.
O nosso padrinho ou madrinha pode ajudar-nos a concentrar no que esteja a ser dito, em vez de na pessoa que estiver a dizê-lo. O nosso padrinho ou madrinha pode também ajudar-nos a lidar com os ressentimentos que poderão estar a impedir-nos de reconhecer o valor da experiência de recuperação de determinada pessoa. É espantoso o quanto podemos retirar mais das reuniões quando nos permitimos seguir a sugestão da nossa 12ª Tradição, concentrando-nos nos princípios de recuperação em vez de nas personalidades.

Só por hoje: Vou praticar o princípio do anonimato na reunião de NA. Vou concentrar-me na mensagem de recuperação e não na personalidade do mensageiro.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Unidade Móvel fará testagem rápida para HIV/Aids pelo ‘Viva Melhor Sabendo Jovem’

Seguindo as diretrizes do projeto Viva Melhor Sabendo Jovem, a Unidade Móvel irá percorrer diferentes pontos da cidade onde for registrada maior concentração de jovens e adolescentes, como praças e colégios

A capital amazonense é a 5ª cidade a adotar o projeto, além de Fortaleza, Porto Alegre, São Paulo e Belém (Assessoria/ Semsa
  Uma Unidade Móvel para o trabalho de prevenção e testagem rápida para HIV/Aids, juntamente com uma equipe de profissionais e insumos para o trabalho, serão disponibilizados pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) para atender adolescentes e jovens com idade entre 15 e 24 anos.
O serviço faz parte das ações do projeto Viva Melhor Sabendo Jovem, que conta com a parceria do Governo do Amazonas e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), lançado em Manaus na manhã desta sexta-feira, 19, no Centro de Convivência da Família Padre Pedro Vignola, no bairro Cidade Nova, zona Norte de Manaus.
O secretário municipal de Saúde, Homero de Miranda Leão Neto, explicou que o projeto representa uma das ações resultantes do compromisso firmado pelo prefeito Arthur Virgílio Neto, que em dezembro do ano passado assinou a chamada Declaração de Paris, movimento que pretende estimular as cidades do mundo inteiro a acelerar as ações e respostas de prevenção e controle do HIV/Aids.
“A Declaração de Paris foi assinada pela primeira vez pela prefeitura de Paris, no dia 1º de dezembro de 2014, marcando o Dia Internacional de Luta contra a Aids. A meta é que, até 2020, todas as cidades que assinaram a declaração consigam fazer com que 90% das pessoas vivendo com HIV saibam que têm o vírus; que 90% das pessoas que sabem que tem o HIV estejam recebendo tratamento antirretroviral; e destas, 90% em tratamento antirretroviral tendo carga viral indetectável”, destacou Homero de Miranda Leão Neto.
 Seguindo as diretrizes do projeto Viva Melhor Sabendo Jovem, a Unidade Móvel irá percorrer diferentes pontos da cidade onde for registrada maior concentração de jovens e adolescentes, como praças e colégios.
A chefe do Núcleo de Controle às DSTs/Aids e Hepatites Virais da Semsa, enfermeira Adriana Raquel Souza, adiantou que a partir de março será montado um cronograma para a realização das atividades da Unidade Móvel, com a previsão para duas ações a cada mês.
“A testagem rápida será por meio da coleta de fluído oral e o resultado do exame sai em trinta minutos, sendo que é realizado o pré e pós-aconselhamento com profissionais capacitados”, informou.
 Educadores em Saúde
Além das ações desenvolvidas com a Unidade Móvel, o projeto Viva Melhor Sabendo Jovem tem como objetivo desenvolver ações de Educação em Saúde para a prevenção às Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs/Aids) entre adolescentes e jovens.
Para isso, 40 adolescentes e jovens inscritos no projeto foram capacitados sobre prevenção, abordando temas como redução de riscos, testagem, diagnósticos oportunos, adesão e tratamento.
A adolescente Tayla Castelo Branco, de 17 anos, participou da capacitação, e diz que o conhecimento obtido vai permitir a abordagem junto a outros adolescentes e jovens, multiplicando informações e orientando sobre a importância de prevenção ao HIV e da testagem rápida.
“Muitas pessoas ainda não têm consciência da importância da prevenção e o nosso objetivo é mudar essa realidade utilizando a mesma linguagem, de jovem para jovem, levando o serviço até esse público alvo”, afirma Tayla Branco.
 A capital amazonense é a 5ª cidade a adotar o projeto, além de Fortaleza, Porto Alegre, São Paulo e Belém.
21 de Fevereiro - Autopiedade ou recuperação - a escolha é nossa

"A autopiedade é um dos defeitos mais destrutivos; irá esvaziar-nos de toda a energia positiva."

Na adicção activa muitos de nós utilizaram a autopiedade como um mecanismo de sobrevivência. Não acreditávamos que houvesse uma alternativa a vivermos na nossa doença - ou talvez não quiséssemos acreditar nela. Enquanto pudéssemos ter pena de nós próprios e culpar alguém pelos nossos problemas, não tínhamos de aceitar as consequências das nossas acções; ao acreditarmos que somos impotentes para mudar, não precisamos de aceitar a necessidade de mudança. Este "mecanismo de sobrevivência" impediu-nos de entrar em recuperação e levou-nos cada vez mais perto da auto-destruição.
A autopiedade é uma arma da nossa doença; precisamos de parar de usá-la e, em vez disso, aprender a utilizar os novos instrumentos que encontramos no programa de NA. Viemos a acreditar que uma ajuda eficaz está à nossa disposição; quando procuramos essa ajuda, encontrando-a no programa de NA, a autopiedade é substituída pela gratidão. Há muitos instrumentos à nossa disposição: os Doze Passos, o apoio do nosso padrinho ou madrinha, a irmandade de outros adictos em recuperação, e o carinho do nosso Poder Superior. A disponibilidade de todos é razão mais do que suficiente para estarmos gratos.
Nós já não vivemos isolados, sem esperança; temos uma determinada ajuda ao nosso dispor para o que quer que seja que tenhamos de enfrentar. A forma mais segura de nos tornarmos gratos é aproveitarmos a ajuda que nos é dada no programa de NA e sentirmos as melhorias que o programa irá trazer para as nossas vidas.

Só por hoje: Vou estar grato pela esperança que NA me deu. Vou cultivar a minha recuperação e parar de alimentar a autopiedade.

sábado, 20 de fevereiro de 2016


20 de Fevereiro - Impotência, responsabilidade pessoal

"Dada a nossa incapacidade para aceitarmos responsabilidades pessoais, criamos de facto os nossos próprios problemas."
Texto Básico, p. 15

Quando nos recusamos a ser responsáveis pelas nossas vidas, abdicamos de todo o nosso poder pessoal. Precisamos de nos lembrar que somos impotentes perante a nossa adicção, e não perante o nosso comportamento como pessoa. Muitos de nós utilizaram erradamente o conceito de impotência para evitarem tomar decisões ou para permanecerem ligados a coisas que já tinham deixado para trás. Temos reivindicado a impotência perante as nossas ações. Temos culpado os outros pela nossa situação, em vez de agirmos positivamente para modificá-la.
Se continuarmos a evitar as responsabilidades alegando que somos "impotentes", estamos a caminhar em direção ao mesmo desespero e sofrimento que sentimos durante a nossa adicção ativa. As possibilidades de passarmos anos de recuperação a sentirmo-nos como vítimas são muito grandes. Em vez de vivermos as nossas vidas por defeito, podemos aprender a tomar decisões responsáveis e a arriscar. Podemos cometer erros, mas podemos também aprender com esses erros. Uma elevada consciência de nós próprios e uma crescente vontade de aceitar responsabilidades pessoais, dá-nos a liberdade para mudar, para escolher e para crescer.

Só por hoje: Os meus sentimentos, as minhas ações e escolhas, são meus. Vou aceitar a responsabilidade por eles.
Dependentes químicos participam de audiências

Intimados pelo Juizado Especial Criminal (Jecrim), dependentes químicos compareceram ontem à audiência coletiva voltada para pessoas que respondem processos na Justiça por envolvimento com drogas. A finalidade é viabilizar alternativas à punição de pequenos delitos, como uso e porte de entorpecentes.

Ao todo, foram emitidos 150 mandados de intimação. A audiência vem ao encontro com a Lei 9.099/95, que trata sobre os Juizados Especiais e que prevê, para delitos de menor potencial ofensivo, pena de até dois anos de prisão. “Então, fazemos a audiência coletiva que tem o objetivo de resgatar e buscar o tratamento dessas pessoas”, informou o juiz titular do Jecrim, Mário Roberto Kono de Oliveira.

Uma das intenções é ajudar essas pessoas que comparecem às audiências e sensibilizá-las para que vejam os malefícios que as drogas trazem, não apenas para a vida delas, mas também para os familiares.

Para isso, o Jecrim conta com a parceria de instituições, como Alcoólicos e Narcóticos Anônimos, Amor Exigente, Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Adauto Botelho, que ajudam no tratamento e auxiliam os familiares a saberem como lidar com a situação.

Isso porque, em se tratando de dependência química, é importante o acompanhamento familiar para que a recuperação dos dependentes realmente aconteça e também porque todos os membros da família costumam ser são afetados uma vez que os atos praticados pelo usuário de drogas podem levar a diversos problemas ou consequências irreparáveis.

Assim, o trabalho voltado aos dependentes, dentro do Juizado Criminal, é por meio de apoio psicossocial e de acordo com a necessidade de cada pessoa. “Ainda vou ver como vai ser, mas acho que vai ser bom para mim. Vou tentar resolver a minha situação”, disse um dos rapazes intimados enquanto aguardava o início da audiência e que preferiu não divulgar o nome.

O jovem diz que é usuário de maconha e reconhece que já foi preso por porte de drogas. “É a primeira vez que participo da audiência e espero encontrar ajuda”, disse. Da audiência, os intimidados são encaminhados para atendimento psicológico, tratamento ambulatorial ou internação nos casos mais graves e de acordo com a necessidade de cada pessoa.

Kono alerta ainda que a sociedade em geral, bem como as autoridades públicas, precisam lidar com mais seriedade e intensificar as ações de prevenção contra o uso abusivo de álcool e outras drogas. Se não houver essa preocupação e seriedade por parte de todos, a tendência é o aumento do consumo de entorpecentes e, consequentemente, da violência. 

Ele venceu o crack: meu pai dormiu oito meses no sofá com medo de eu fugir

Renan está sem usar qualquer substância que altere o comportamento há mais de cinco anosGabriel Quintão
“A droga mata, mas esse não é o maior problema. Antes, ela te humilha, você e toda a sua família”. A frase é de alguém que já esteve no buraco, em um lugar que não quer “voltar nunca mais, porque dói”, onde (quase) perdeu tudo e só pode falar do passado graças às mãos que se estenderam há exatos cinco anos, um mês e 13 dias. “Meu nome é Renan Machado, tenho 31 anos, sou um dependente químico em recuperação. Graças à minha família e força de vontade, duas internações domiciliares e grupos de apoio, estou limpo e renovei meu voto de ficar mais 24 horas sem usar”, se apresentou.

Se é para sempre? Renan não pode responder, “a dependência química é para o resto da vida”, diz ele, mas o ex-usuário de drogas – e hoje palestrante e ativista do combate às drogas -não trocaria o “pior dia limpo pelo melhor dia em uso”. Ele é rigoroso com a doença, enquadrada no CID 10 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) – e não “safadeza” como ignorantes podem julgar. “Ela não brinca comigo, não brinco com ela”, disse em tom profundo de quem foi refém do vício em, entre outras substâncias, a pior, o crack. Não era um plano, não foi de repente, mas a luta será eterna.

“Quando eu estava ali fumando maconha, se alguém chegasse para falar de crack, eu falava: ‘nunca, não é para mim, eu só fumo um”.

Renan acendeu o primeiro baseado aos 13 anos, idade marcante, pois foi quando começou a fumar cigarro e a consumir bebidas alcoólicas de forma mais “pesada”. Na época, ele se lembra de ouvir que “maconha era a porta de entrada para o mundo das drogas”, afirmação que hoje diz com confiança não ser verdadeira. “As experimentações de outros tipos de drogas acontecem sob o efeito de álcool”, afirmou com base nos vários relatos de dependentes químicos que fazem parte de seu dia-a-dia e em sua própria experiência: foi a bebida que o levou da erva ao pó, do pó à pedra e da recuperação ao buraco. É a pior droga e a mais banalizada, na opinião dele.Por outro lado, 95% das pessoas internadas em clínicas de reabilitação por uso de crack, já fumaram maconha, disse. E nenhuma delas gostaria de ter vivido o que viveu. Naquela tarde de surf que Renan ficou sem jeito de falar “não” para a rapaziada, mal imaginava o que aconteceria nos anos seguintes. “Por que eu fumei? Porque tive acesso”, contou ele que na época era até meio perdido sobre o que era um baseado. O “não pega nada” entrou rápido na rotina de Renan e fumar um passou a hobby favorito.

“Vamos jogar bola? Vamos, mas vamos fumar um antes. Se eu não arrumasse maconha, não viajava. Fazer o que na praia sem droga?”

Renan fez o que chama de “amigos de droga”, a rapaziada que se junta para queimar um. Ele não tinha contato na biqueira e o jeito era ficar perto desses camaradas que faziam o leva e traz. Mas não demorou a ficar difícil depender de outras pessoas para conseguir um baseado. “Aí eu pedi, ‘me leva lá’, ‘me apresenta’. Comecei a comprar a minha própria droga”, contou. O grupo de “amigos de droga” cresceu e quando Renan estava com 16 anos, um deles ofereceu o primeiro “tiro”. “Estava bêbado em uma balada e eles tinham um papelote de cocaína. ‘Vamos? ’ ‘Bora! ’”, já sem qualquer “moderação” por conta do efeito do álcool. A progressão da dependência química acelerou.
Ele demorou mais de um ano para voltar a ter a chave de casa
Gabriel QuintãoEle demorou mais de um ano para voltar a ter a chave de casa
Da cocaína, vieram ecstasy, LSD, chá de cogumelo, chá de lírio, mesclado, lança-perfume, cola, thinner, esmalte e o crack, listou Renan. “Não posso afirmar que todo mundo que fumar maconha vai chegar ao crack, acabar com a vida, chegar cagado e mijado em casa com risco de matar pai e mãe para comprar droga. Mas quando o ‘eu preciso’ fica mais forte, sai da frente”, lembrou-se de quando as coisas saíram do controle.  Apartamento e restaurante com ação de despejo, a esposa que não se relacionava mais, os choros de desespero no quarto da empregada, nada impedia a fissura de colocar Renan no carro na madrugada para buscar mais pedras.

“Passei por humilhações morais, cenas muito tristes, de pegar a droga e não segurar o organismo”.

Um dia ele juntou forças para dividir o problema com alguém, a esposa. “Ela me deu a melhor ajuda naquele momento, fez as malas e levou o nosso filho”, contou. Mas Renan não estava sozinho: a mãe, o pai e as três irmãs se uniram para monitorar 24 horas uma internação domiciliar. “Meu pai dormiu no sofá perto da porta por oito meses com medo de eu fugir no meio da noite”, lembrou com gratidão. Renan melhorou, estava se sentindo forte e começou a trabalhar em uma imobiliária, tudo estava bem, ele pensava. Renan pode ir a comemorações da empresa, voltou a sair sozinho de casa e até a beber “com moderação”.
Renan ex-viciado em drogas
Gabriel QuintãoRenan cresceu no bairro Casa Verde, em São Paulo, onde ele perdeu tudo, se reergueu e vive uma vida feliz
tabela_relatoAs coisas estavam indo tão bem que os pais de Renan decidiram viajar no final do ano, e ele ficou para cumprir com os compromissos do trabalho. Mas se a dependência química pode ser tratada em 60 dias, a psicológica não tem cura, precisa de manutenção constante. Eles não sabiam. Na cabeça de Renan se repetia: “foi o crack que me jogou na sarjeta, posso tomar uma cervejinha”. Ele tomou uma, duas, três, até perder as contas, em um bar em frente de onde morava, e continua a viver. Foi quando um dos “amigos de droga” chegou e fez o convite para fumar três pedras de crack. “Pum!”. Renan teve uma recaída.
 Naquele momento, Renan não tinha estado emocional para se importar com os sentimentos da família. Ele estava doente, estava tendo uma crise da doença. Mas, mais uma vez, a família se uniu para a segunda internação domiciliar. Dessa vez, Renan se armou de tudo o que podia para lutar contra a dependência: palestras, grupos de apoio, psicólogos e estudo. “Descobri que eu tinha uma doença, que não era sem-vergonhice, comecei a estudar, surgiu a oportunidade de dar palestras e a coordenar o grupo de apoio Amor Exigente, que atende dependentes e familiares no Brasil todo.

“Ver meu filho chorar sem parar e dizer: ‘estou chorando de felicidade porque você está comigo de novo’, não tem nada que pague isso”.

As recompensas da recuperação são inúmeras e é por saber o quão obscuro o mundo do crack é que Renan se apega cada vez mais ao combate às drogas. A única arma, segundo ele, é a informação técnica sobre as substâncias e como elas agem no organismo, projeto que começa com crianças a partir dos 11 anos de idade. “Você aprende português e matemática na escola, a ter educação, em casa, e o que é droga, nas ruas”, disse. Renan atacou a crença de que experimentar uma droga é opção: “é uma escolha justa se eu não sei aonde esse caminho vai me levar? Posso dizer que eu não sabia. Foi uma escolha justa para mim?”, questionou.
Precisa de ajuda? A organização Amor Exigente tem unidades em todo o país e oferece apoio a dependentes e familiares:

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Saúde

Para ter controle, dependente alcoólico deve ter monitoramento por toda a vida

divulgação

No Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo, datado em 18 de fevereiro, a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade orienta sobre problemas físicos e sociais de pessoas que abusam de bebidas alcoólicas
da redação | 18-02-2016 06:23:19
O alcoolismo é uma dependência química e, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os níveis seguros de consumo de álcool são de três doses por dia para homens, não excedendo 15 doses semanais; e duas doses por dia para mulheres, não excedendo 12 doses semanais. Uma dose equivale uma lata de cerveja, 140ml de vinho ou 20ml de destilado. Pessoas que bebem até 56 doses semanais são consideradas bebedores problema, acima disso já é classificado como dependente químico.
“A pessoa dependente de álcool (ou mesmo o que abusa) pode ter problemas sociais, perda de produtividade laboral, conflitos familiares e acidentes, principalmente no trânsito. O álcool está associado a maior incidência de neoplasias de trato digestivo, a cirrose hepática, a hemorragia digestiva. Pode ser causa de distúrbios comportamentais e levar e perda cognitiva”, explica Hamilton Wagner, médico de família, membro da Sociedade Brasileira de Família e Comunidade (SBMFC).
O médico de família pode fazer o diagnóstico de situações de risco e identificar os pacientes dependentes, além de promover medidas educativas e tratar os casos passíveis de manejo ambulatorial. Wagner complementa que não há cura de dependência química, apenas controle. Se alguém tem problemas com álcool deve abster-se do mesmo pelo resto da vida. São raros os casos em que um alcoolista consegue voltar a um consumo social do álcool. “É necessário monitorar e apoiar paciente e famílias que apresentam este tipo de problema, há uma forte tendência familiar para repetir este tipo de padrão”, explica o médico que atua no Paraná.
Quem é o médico de família e comunidade (MFC)?
A medicina de família e comunidade é uma especialidade médica, assim como a cardiologia, neurologia e ginecologia. O MFC é o especialista em cuidar das pessoas, da família e da comunidade no contexto da atenção primária à saúde. Ele acompanha as pessoas ao longo da vida, independentemente do gênero, idade ou possível doença, integrando ações de promoção, prevenção e recuperação da saúde. Esse profissional atua próximo aos pacientes antes mesmo do surgimento de uma doença, realizando diagnósticos precoces e os poupando de intervenções excessivas ou desnecessárias. 
É um clínico e comunicador habilidoso, pois utiliza abordagem centrada na pessoa e é capaz de resolver pelo menos 90% dos problemas de saúde, manejar sintomas inespecíficos e realizar ações preventivas. É um coordenador do cuidado, trabalha em equipe e em rede, advoga em prol da saúde dos seus pacientes e da comunidade. Atualmente há no Brasil mais de 3.200 médicos com título de especialista em medicina de família e comunidade.
18 de Fevereiro - A parceria de recuperação

"Desde que eu tenha calma e assuma um compromisso com o meu Poder Superior para fazer o melhor que possa, sei que algo vai hoje cuidar de mim."
Basic Text II, p. 120

Muitos de nós sentem que o compromisso fundamental em recuperação é para com o nosso Poder Superior. Sabendo que nos falta o poder para nos mantermos limpos e recuperarmos sozinhos, entramos numa aliança com um Poder superior a nós. Comprometemo-nos a viver nos cuidados do nosso Poder Superior e, em troca, somos guiados por ele. Esta parceria é vital para nos mantermos limpos. Conseguir ultrapassar os primeiros dias de recuperação parece quase sempre ser a coisa mais difícil que já fizemos. Mas a força do nosso compromisso para com a recuperação e o poder do cuidado de Deus são suficientes para nos levar para a frente, só por hoje.
A nossa parte nesta relação é fazermos o melhor que pudermos em cada dia, vivendo e fazendo o que tivermos de fazer, aplicando os princípios de recuperação o melhor que pudermos. Prometemos fazer o melhor que podemos - não fingindo, não tentando ser super-homens, mas simplesmente fazendo o trabalho - base de recuperação. Ao cumprirmos a nossa parte desta parceria de recuperação, sentimos o cuidado do nosso Poder Superior.

Só por hoje: Vou cumprir o meu compromisso na parceria com o meu Poder Superior.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Câmara critica atendimento para dependentes químicos

 
A propósito de uma discussão sobre moradores de rua e dependentes de álcool e drogas em Sorocaba, vereadores fizeram ontem críticas às políticas públicas da Prefeitura voltadas para esse setor. A discussão começou quando o vereador Rodrigo Manga (PP) subiu à tribuna para informar que a Comissão de Dependência Química da Câmara identificou 542 moradores de rua em 18 pontos (praças e vias públicas) de Sorocaba. Segundo Manga, esse número é 55% maior se for levado em conta o levantamento feito em julho de 2015 pela Secretaria de Desenvolvimento Social, que havia identificado 350 moradores de rua na cidade. Ele lembrou que muitos dos moradores de rua têm problemas com vícios de álcool e drogas.
  Na avaliação de Manga, esse crescimento mostra que as políticas para o setor não funcionam porque a estrutura existente não é capaz de dar o devido atendimento. Ele disse que as duas unidades do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de álcool e drogas, em vez de aguardarem a procura por parte dos carentes, precisariam ir até eles. Uma unidade está localizada na Vila Angélica, na zona norte, e outra, no centro da cidade. Manga afirmou que no ano passado levou a necessidade de mudança de atuação ao prefeito Antonio Carlos Pannunzio (PSDB) e à vice-prefeita e secretária de Desenvolvimento Social, Edith Di Giorgi, mas ouviu como explicação que os Caps seguem legislação federal.
 


Efeito do Facebook sobre o
cérebro é semelhante ao da cocaína. https://t.co/4qhx0p6cZc

17 de Fevereiro - Levar a mensagem, não o adicto
"Podemos analisá-lo, aconselhá-lo, podemos rezar por ele, tentar ser razoáveis, podemos ameaçá-lo, sová-lo, ou aprisioná-lo, mas ele não irá parar enquanto não quiser parar."
Texto Básico, p. 74
Uma das verdades mais difíceis que temos de enfrentar na nossa recuperação talvez seja a de que somos tão impotentes perante a adicção de alguém quanto o somos perante a nossa própria. Podemos pensar que, porque tivemos um despertar espiritual nas nossas vidas, deveríamos ser capazes de persuadir outro adicto a encontrar recuperação. Mas há limites para aquilo que podemos fazer para ajudar outro adicto. Não podemos forçá-los a parar de usar. Não podemos dar-lhes os resultados dos passos ou crescer por eles.
Não podemos tirar-lhes a solidão e a dor. Não há nada que possamos dizer para convencer um adicto assustado a trocar a miséria familiar da adicção pela incerteza assustadora da recuperação. Não podemos entrar na pele de outras pessoas, mudar os seus objectivos, ou decidir o que é melhor para eles. No entanto, se nos recusarmos a tentar exercer esse poder sobre a adicção de alguém, podemos ajudá-lo. Eles podem crescer se os deixarmos enfrentar a realidade, por muito dolorosa que seja. Eles podem tornar-se mais produtivos, de acordo com o seu próprio conceito, desde que não tentemos fazê-lo por eles.
Eles podem tornar-se a autoridade das suas próprias vidas, se nós formos apenas autoridades nas nossas. Se conseguirmos aceitar tudo isto, podemos tornar-nos aquilo que é suposto sermos - portadores da mensagem, não do adicto.
Só por hoje: Vou aceitar que sou impotente, não apenas perante a minha própria adicção, mas também perante a adicção de todos os outros. Vou levar a mensagem, não o adicto.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Usado como moeda de troca para o sexo, crack impulsiona a contaminação pelo HIV

Taxa de usuárias da droga infectadas é 20 vezes maior que a da população em geral



Cristina Horta/EM/D.A Press
Morador eventual da cracolândia da Rua Itapecerica, no Bairro da Lagoinha, o soropositivo Davi*, de 48 anos, sabe que é portador do vírus HIV há mais de 10 anos e não usa camisinha nas relações sexuais com mulheres, sendo que muitas delas cedem o corpo em troca de pedras de crack. Se a incidência de pessoas vivendo com HIV/Aids é de 0,4 a cada 100 mil habitantes no país, entre os craqueiros, a proporção é mais de 12 vezes maior, atingindo cinco a cada 100 mil. Entre as mulheres que usam a droga, devido à exigência de dispensar o preservativo para trocar sexo por pedra, a taxa alcança oito a cada 100 mil craqueiras, ou seja, número 20 vezes superior à média da população em geral, segundo os últimos estudos do Ministério da Saúde.           Se os números são preocupantes, a realidade do crack associada à disseminação pelo HIV é ainda mais desafiadora. Na prática, não se pode acusar o dependente químico viciado em pedra de estar contaminando outras pessoas de propósito. Nessa população, leva-se em consideração a comorbidade da dependência química para isentar da culpa o craqueiro, que está com seu estado de consciência alterado, e, pelo mesmo motivo, poderá não ter forças para aderir a um tratamento anti-HIV e dar continuidade a ele, ingerindo as cápsulas antirretrovirais diariamente.
Em uma novela televisiva, a atriz Grazi Massafera comoveu quem assistiu à jornada da personagem que se viciou na pedra, com cenas reais gravadas na cracolândia de São Paulo, mostrando a depauperação física e mental da mulher e sua flagrante humilhação até o momento do clímax em que ela oferece o seu corpo, o único bem disponível, para se livrar da fissura do crack. “Para quem não toma o medicamento, a Aids continua sendo exatamente igual ao que era antes. Não fazemos milagres. O governo federal e mesmo as autoridades locais não têm condições de entrar nas cracolândias, abrir a boca do paciente e enfiar dentro o remédio todos os dias”, desabafa Fábio Mesquita, diretor do Departamento de DST/Aids do Ministério da Saúde.
Signatária das Metas do Milênio da Organização das Nações Unidas (ONU), Belo Horizonte está bem perto de atingir o objetivo de que, até 2020, 90% das pessoas vivendo com HIV estejam diagnosticadas e, destas, 90% já estejam em tratamento, entre as quais 90% com a carga viral controlada ou indetectável. “Lógico que ainda temos muitos desafios pela frente, em função das fragilidades psíquicas e sociais dos nossos pacientes”, defende a médica do Eduardo de Menezes Tatiani Fereguetti, coordenadora do Programa Municipal de Atenção às DSTs, Aids e Hepatites Virais.
Com base nos parâmetros relatados no parágrafo anterior, os últimos números mostram que, das aproximadamente 10 mil pessoas vivendo atualmente com HIV na capital mineira, 88% já estão diagnosticadas e, destas, 94% iniciaram o tratamento, superando, portanto, a meta da ONU de 90%, quatro anos antes do prazo marcado. Dessas 94% em tratamento, 88% estão com a carga viral controlada. “BH se destaca em relação ao restante do país e até do mundo, oferecendo testes rápidos nas UPAs, centros de saúde e maternidades públicas da cidade. Uma vez que se trata o HIV, a chance de transmitir o vírus é menor, então, tratar também é uma estratégia de prevenção”, compara a médica, lembrando ainda a distribuição de preservativos, gel lubrificante e camisinhas aromatizadas para estimular o sexo oral seguro.
Para tentar incluir as restantes 1,2 mil pessoas sem diagnóstico do HIV/Aids, Tatiani Fereguetti explica que a próxima estratégia do BH de Mãos Dadas contra a Aids, programa municipal que completou 15 anos em dezembro, será treinar e capacitar jovens para trabalhar entre seus pares, prostitutas em seus locais de prostituição, travestis e transexuais, de maneira que a informação chegue à fonte com a linguagem desejada, sem subterfúgios.
Cruzada por reparação judicial
Ao receber o diagnóstico da boca do próprio namorado, André* diz ter perdido o chão. Sentiu-se traído, mas teve a sorte de ter sido orientado pela médica do posto de saúde a buscar o prontuário do parceiro, na região onde o mesmo deveria ter feito o exame anti-HIV. Aos poucos, com alguma frieza e talento para investigação, foi descobrindo que o companheiro havia sido garoto de programa no passado recente e mais: que sabia do próprio diagnóstico, ao contrário do que havia jurado. “A partir daquele dia, eu o desamei. Mas consegui ficar ao lado dele até reunir todos os papéis para entrar na Justiça contra ele por danos morais. Meu sonho é estar diante dele mais uma vez nos tribunais e dizer: eu te perdoo por não me contar, mas não te isento da culpa.”
Na grande maioria dos casos, a criminalização do contágio não costuma ser incentivada pela classe médica especializada em infectologia. “Na verdade, a não ser em caso de estupro ou de violência doméstica, pressupõe-se que uma relação sexual seja consensual e que, portanto, ambas as partes tenham confiança uma na outra. Não faz sentido criminalizar, se os dois concordaram em abrir mão do uso da camisinha”, pontua a médica Tatiani Fereguetti.
Segundo o infectologista Dirceu Grecco, a relação se equipara à da mulher que se previne tomando pílulas, mas acaba engravidando. A probabilidade de contrair o HIV em relações aleatórias, saindo por uma noite com um desconhecido, é de uma a cada 400 pessoas em Belo Horizonte, tomando por base as taxas atuais de infecção. “Você pode tentar processar o parceiro, mas ele, na verdade, só confiou na pessoa errada, como as meninas que ficam grávidas dizendo que tomavam pílulas”, acredita o médico, que insiste que a única maneira concreta de se prevenir contra o HIV e outras DSTs é usando o método de barreira, ou seja, a camisinha, hábito mais disseminado entre casais homossexuais.
Nosso personagem André mantém sua cruzada pessoal tentando incriminar o ex-namorado por ter atentado contra a vida dele ao ter consciência de que era portador de um vírus letal e omitir a informação. Para juntar provas, André abriu inquérito na Polícia Civil, juntou os exames do posto de saúde e foi orientado pela Defensoria Pública de Minas Gerais a entrar com pedido de união estável com o parceiro, seguido da dissolução da união estável, como forma de comprovar o vínculo. Para demonstrar que seu comportamento não era promíscuo, conforme lhe foi exigido, juntou aos autos os testes de HIV realizados três meses antes, ao fazer um procedimento cirúrgico estético. “Ainda hoje tenho sonhos com ele e nesses três anos não consegui me envolver com mais ninguém. Na época, ele poderia ter aberto o jogo e me dito: estou te amando, mas sou soropositivo e não sei como resolver isso. Eu juro que teria aceitado.”
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