sábado, 23 de agosto de 2014

Teste rápido de HIV antes do parto ajuda a evitar transmissão vertical

Com a capacitação, a Sesap pretende expandir o teste rápido para HIV em gestantes às unidades básicas de saúde, no início do pré-natal e no terceiro trimestre de gestação

Gestantes que dão entrada ao Hospital Municipal Irmã Dulce para dar à luz já fazem o teste rápido para pesquisa do HIV, o vírus da Aids. A medida permite a adoção de medidas profiláticas para prevenir a chamada transmissão vertical, da mãe para o bebê, quando em caso positivo. Aprimorando esse atendimento, enfermeiros do complexo participaram de capacitação sobre os testes rápidos para HIV, hepatites B e C e sífilis promovida pela Secretaria de Saúde Pública (Sesap) para profissionais da rede municipal. O evento foi realizado de 18 a 20 deste mês, no anfiteatro do hospital.
Com a capacitação, a Sesap pretende expandir o teste rápido para HIV em gestantes às unidades básicas de saúde, no início do pré-natal e no terceiro trimestre de gestação, conforme prevê resolução da Secretaria de Estado da Saúde publicada em junho deste ano, que também determina a realização do teste no momento do parto, a exemplo do que já acontece no Irmã Dulce. A informação é da coordenadora do programa DST/Aids e Hepatites Virais, Simone de Lara Castro, que conduziu a capacitação.
A iniciativa faz parte do programa Rede Cegonha do governo federal, detalhado pela médica Solange Cavalhieri, referência em Obstetrícia e coordenadora do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (Nasf) da Sesap. Durante sua exposição, a obstetra esclareceu o fluxo de atendimento das gestantes do Município desde o exame de confirmação de gravidez até após o nascimento do bebê, o Pré-natal Legal, o papel do Nasf e outros assuntos.
A medida permite a adoção de medidas profiláticas para prevenir a chamada transmissão vertical, da mãe para o bebê (Foto: Agência Brasil)
A medida permite a adoção de medidas profiláticas para prevenir a chamada transmissão vertical, da mãe para o bebê (Foto: Agência Brasil)

Pré-Natal do Pai 
No segundo dia de capacitação, o médico Marcelo Veiga do Marco discorreu sobre aspectos gerais do HIV/Aids e sífilis, defendendo o pré-natal do pai, em que o homem também passa por exames e, quando preciso, inicia o tratamento de doenças que podem ser transmitidas à gestante e, por conseguinte, ao feto. É o que caso da sífilis, uma doença que pode provocar sérios problemas no bebê, aborto ou morte ao nascer, mas que pode ser tratada na gestação. “É importante a participação do parceiro no pré-natal.”
Explicando a diferença entre o portador do vírus HIV e a pessoa que desenvolve a doença, Marco falou dos avanços no tratamento da Aids, frisando a importância da prevenção com uso de preservativo em relações sexuais. “Evoluímos muito nos últimos anos, em qualidade de vida. Não tem como curar, mas o governo fornece o tratamento. (...) O Brasil é exemplo mundial para tratamento de HIV”, destacou.
Sobre a transmissão vertical da sífilis, o médico defendeu o início do tratamento, feito com penicilina, na gestante assim que se confirme a doença. “Vocês têm um compromisso para que se consiga eliminar a transmissão vertical de HIV e sífilis. Esse é um compromisso de todos nós. Precisamos fazer a nossa parte”, acentuou aos profissionais de saúde presentes.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Histórias de quem está vencendo o vício

A dependência química é uma doença que não tem cura. Apesar disso, há exemplos de quem está superando o vício. Em muitos casos, trabalham na prevenção e recuperação de outros dependentes

O caminho do crack é de pedra. É pedra no percurso, difícil e doloroso, é pedra nos pedaços queimados no cachimbo, que atingem o cérebro em até 15 segundos. E já abriu chão pelo Interior. No Ceará, a droga está em 75,5% dos municípios, e em 39% do Estado os problemas relacionados à sua circulação estão avaliados em nível alto, segundo o Observatório do Crack, iniciativa da Confederação Nacional de Municípios (CNM).
 No caminho, o crack vai levando milhares. A estimativa mais completa e recente, datada de 2013, totalizou 350 mil usuários no Brasil, conforme a Fiocruz. Nesse caminho, passaram Guilherme, Hélio e Joana (este, fictício). São histórias que nunca se cruzaram, mas carregam tantas semelhanças - delitos, noites na rua, internações, sofrimento familiar. A droga leva a esperança, até que eles conseguiram sair do trajeto. A dependência química é incurável, mas hoje eles estão limpos e contam suas histórias em O POVO.
 Para a professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), especialista em dependência química e doutora em Enfermagem Psiquiátrica, Amanda Reinaldo, na recuperação há o consenso internacional de que o relacionamento interpessoal, ou seja, a atenção individualizada, tem papel importante no tratamento do dependente químico.
 Ela ressalta o apoio da família com parceira. “Mas ela só vai ‘agir de forma adequada’ se tiver apoio, orientação e atendimento dos serviços de atenção da rede de saúde, de assistência social e jurídica”. A compreensão de que a dependência química é uma doença também é importante, principalmente no que concerne a redução do estigma e preconceito que o usuário de drogas sofre.
 O tratamento involuntário divide opiniões em todo o mundo. A especialista afirma que estudos preliminares já apontam o aumento da reincidência do uso após a alta de uma internação compulsória em comparação a internação voluntária. Mas acredita que outras experiências são possíveis. “O consultório na rua é uma proposta fantástica que tem tido excelentes resultados. Devemos, enfim, investir nas modalidades de atenção que tem apresentado bons resultados e deixar de lado as que violam os direitos”, avalia.
 A SORTE DE TER ANJOS
A vida de Guilherme Bezerra Walraven percorre trajetória similar a de muitos dependentes químicos. Mas quem ouve essa história, que já foi narrada em O POVO, em 2011, pode estranhar que tanto tenha acontecido a um jovem de apenas 27 anos. Hoje, a energia que já foi gasta acendendo cachimbo ele usa no Instituto Caminho da Luz, clínica de reabilitação da qual é proprietário desde 2012.

Como tantos, Guilherme, estudante de Psicologia, tem origem na classe média, porque o crack não domina apenas favelas. Chegou a dormir na rua - inclusive na Cracolândia paulista, enrolado em um lençol junto a outros “zumbis”. Furtou, foi preso, vendeu droga sintética, fugiu de internação - não nessa ordem nem apenas uma única vez. Enganou os pais e a si mesmo em diversas situações. O fundo do poço foi quando tentou suicídio.
Depois de seis meses em tratamento e dois anos trabalhando no Instituto Volta Vida, quis voltar e ganhar o mundo. “Eu tinha um ex-interno que partilhava da mesma vontade de começar um projeto”. Juntos, conheceram o espaço no bairro da Precabura que depois ele passaria a administrar. “Minha mãe (Diva Bezerra, que acompanhou a entrevista) sempre disse que eu tenho a sorte de ter anjos”. O anjo era a agora amiga Maria do Carmo de Carvalho, que trabalhava voluntariamente no lugar.
Quando a dona quis fechar o espaço, eles juntos assumiram a missão de continuar. Hoje, o Instituto Caminho da Luz tem 20 pacientes, que veem no dono uma inspiração. A primeira foi Maria, senhora de 50 anos que Guilherme conheceu nas ruas, no vício. “Eu prometi que, quando conseguisse sair, ia ajudá-la com tratamento um dia”. Maria perdeu os pais e tem perdido os filhos para o crack. Mas se mantém limpa, coordena a cozinha e hoje possui salário próprio.
 O sonho é de continuar e ampliar a clínica. “Um dia, quem sabe, ser um modelo de clínica. E quero ter outra, mas como projeto social, sem fins lucrativos”, projeta. Guilherme se descreve como resultado da persistência - da família e de outras pessoas que acreditaram nele. “Para a sociedade, digo que nunca desista do ser humano. Para os dependentes, repito uma frase de um conselheiro que faz parte da oração de São Vicente: ‘quem não vive para servir, não serve para viver’”.
Serviço
INSTITUTO CAMINHO DA LUZ
Contato: 3476 3754 | 9744 1516
A PALAVRA DEUS
Francisco Hélio hoje, aos 35 anos, quando percorre o caminho de casa, na Comunidade das Quadras, lembra dos becos que usava para fumar crack. “Eu já cheguei a dormir nesse cantinho”, aponta. A droga ele começou com 15, mas o crack só chegou depois. Tudo fruto da curiosidade. Foram sete anos no vício, até os 28.

“Antigamente, cocaína era só com os ricos. Então, quando o crack chegou nas favelas, foi ganhando espaço, porque o efeito é em 10 segundos. É você fumando um aqui e já pensando no dinheiro para comprar outra pedra, que custa uns R$ 5”, descreve. Quando começou a vender as coisas de casa, conta ter tido noção que não dava mais para continuar lá.
O momento mais difícil foi quando contraiu tuberculose. “Eu tomava remédio para me drogar”. Foi no Centro de Recuperação Leão de Judá que ele começou a mudar o rumo que, segundo a mãe, dona Fátima, o levaria à morte. Foram quatro meses e dez dias, período menor que o normal. “Se você não tiver algo em que sustentar, você recai. Para mim, foi a palavra de Deus”
Hoje, Hélio, que é irmão do presidente nacional da Central Única das Favelas (Cufa), Preto Zezé, trabalha como porteiro e alimenta sonhos. Realiza um trabalho de prevenção e aconselhamento junto a detentos em unidades prisionais na Região Metropolitana. “Só em ver a gente eles já ficam com lágrimas nos olhos. Nós levamos a palavra e falamos que eles precisam valorizar a liberdade quando saírem”.
As vontades de Hélio daqui pra frente somam construir um lar, ser inspiração para outros e um dia, talvez, escrever um livro, revela meio tímido. “Às vezes, as mães daqui me chamam para incentivar os filhos, vou lá e aconselho, nesse momento é que eles precisam mais de atenção”.
RECAÍDA
No meio de quem quer sair do caminho do crack também existem as recaídas. A tese da psicóloga e doutora em Psiquiatria pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Rosemeri Pedroso, apontou que 50% dos jovens dependentes recairam até 10 dias após a alta e 34% precisaram retomar o tratamento na rede pública.   
Entre o grupo de adultos, 43,4% tiveram de se reinternar até cinco vezes ao longo de três anos. A pesquisa demonstrou também que um terço dos usuários de drogas se envolve com a prática de crimes durante o período de três meses. A amostragem envolveu mais de 300 adolescentes e adultos. Os motivos, cita Rosemeri, inclui a volta para onde há facilidade para recair, sem emprego e chances para o envolvimento com o crime, entre outros fatores de um contexto desfavorável. “Assim, não se espera que o usuário de crack volte à sua condição original anterior ao uso da droga, mas que desenvolva novas estratégias para lidar com as suas dificuldades acerca da droga e a problemática associada”, afirma Rosemeri.


sábado, 16 de agosto de 2014

Policiais passam por aprimoramento

Policiais civis assistiram a um curso de capacitação sobre drogas

Policiais passam por aprimoramentoA equipe do CAPE (Centro de Antitóxico Prevenção e Educação) da Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc) de Curitiba, ministraram esta semana um curso de Capacitação Técnica sobre Drogas para os policiais civis da 13ª Subdivisão Policial (13ªSDP) e núcleo da Denarc de Ponta Grossa.
A formada pelos policiais Maria Cristina Venâncio e Nelson Venâncio Filho, graduados em Psicologia e Fisioterapia, especialistas em Dependência Química, desenvolveram o trabalho com objetivo de habilitar os policiais para o conhecimento técnico de como é preparada cada droga, as complicações físicas e psicológicas, as vias de administração, como identificar o usuário de cada droga, as nomenclaturas, os mecanismos de subsistência da dependência, o caminho da dependência química, os caminhos para a prevenção, como ajudar e o que pode ser feito.
O curso foi uma maneira de atualizar os policiais sobre o tema cotidiano da função, facilitando a identificação de cada tipo de droga e sobre a dependência química.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Tratamento de dependência química ganha reforço em Criciúma

Centro Terapêutico foi inaugurado no sábado. Espaço em breve poderá atender até 16 reeducandos
Dependentes químicos e alcoólicos da Região Carbonífera tem um novo espaço para tratamento a partir desta semana. Foi inaugurado, nesse sábado, às margens da rodovia Jorge Lacerda no bairro Capão Bonito, em Criciúma, o Centro Terapêutico Águas Vivas, que terá a fé como cerne do processo de recuperação de homens acima de 18 anos.
O projeto é da Associação de Assistência Social Jeová Jiré, que tem a Igreja do Evangelho Quadrangular de Criciúma (IEQ) como principal mantenedora. “A espiritualidade servirá de base para todas as ações, mas também vamos oferecer terapias ocupacionais, além de acompanhamento médico, psicológico e de assistência social”, afirma o  superintendente da IEQ Criciúma, Reverendo Jair Alexandre.
A rotina no local será marcada por cultos, mas também pela laborterapia, importante instrumento de reeducação e reinserção social pelo trabalho. No ambiente rural, os internos do centro terapêutico terão como principais atividades o plantio de verduras e o cuidado com animais: galinhas, porcos e cavalos.
Atualmente, o espaço tem capacidade para apenas quatro reeducandos, mas a ampliação do local já está em andamento. “Em cerca de dois meses, teremos capacidade para 16 pessoas. Nossa meta é oferecer o tratamento de forma gratuita, com a ajuda dos membros das igrejas do município”, explica o superintendente.
A Igreja do Evangelho Quadrangular possui outros projetos semelhantes em várias cidades de Santa Catarina, entre elas Joinville, Chapecó, Imbituba e Tubarão.

sábado, 9 de agosto de 2014

Novos Conselheiros são Eleitos no I Fórum Municipal Sobre Drogas

Evento tratou sobre a importância da união para combater e tratar de dependentes químicos

publicado em 09/08/2014 às 10:45
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EVENTO discute a importância de tratar sobre as drogas em conjunto com outras entidades
EVENTO discute a importância de tratar sobre as drogas em conjunto com outras entidades
A Secretaria de Assistência Social realizou o I Fórum Municipal Sobre Drogas, que reuniu diversas entidades de Catanduva e elegeu os novos conselheiros do Conselho Municipal de Política Sobre Drogas (COMAD), para o biênio de 2014/2016. O objetivo do fórum foi de destacar a conscientização como forma de combate. Durante a programação os Conselheiros da Sociedade Civil, que comporão o Conselho Municipal de Política Sobre Drogas (COMAD), teve a participação de representantes das entidades: Cidadão do Futuro, Comunidade Terapêutica Cáritas, Vila São Vicente de Paulo, Lírio dos Vales, Amor Exigência, Narcóticos Anônimos, Associação Pão Nosso, GASA, Casa de Apoio das Crianças, Val do Jaboque, dentre outras.
Na ocasião, o prefeito Geraldo Vinholi abriu o evento falando sobre a importância de se tratar do assunto em conjunto, pois a prefeitura precisa das entidades, e as entidades precisam do auxilio da prefeitura. “É uma demanda enorme e crescente, que precisa de união de todos para que possamos combater e tratar. Logo vamos abrir o CAPS Saúde Mental, que vai ajudar muito a Comunidade Terapêutica Cáritas e a Associação Pão Nosso. Estamos viabilizando o CAPS AD, que será mais um auxílio que ajudará muita gente que necessita”, garante.
De acordo com o prefeito, as crianças serão avaliadas por psicólogos nas escolas, principalmente aquelas que já têm um histórico familiar de dependência química. “São 608 crianças que passarão por essa avaliação; detectado algum problema, serão encaminhados a exames psiquiátricos”, afirma.
O promotor de justiça, Carlos Macayochi, frisa a importância da realização desse tipo de evento e agradeceu a presença de todos. “É um problema que aumenta todos os dias e precisamos combater e cuidar de todos que necessitam de auxílio e tratamento”, diz. 
CONSELHEIROS
No final do Fórum, foi desenvolvida a eleição e nomeados os conselheiros da Sociedade Civil que farão parte do COMAD. Titulares: Luis Rogério Sabino, Silmara Aparecida Gomes, Iara Eloisa Diniz Ribeiro, Yeda Cassis da Rocha, Gizandro André Prandi, Irmã Lurdes Maria de Jesus da Silva, Maria Teresa Oliveira da Silva, Padre Carlos Umberto Franquim.
SUPLENTES 
Como suplentes foram eleitos: Natalia Maria Carnelossi, Kaue Dias Martins, André Luís, Patrícia Zucchi Zanini, Gerolino Pereira Mesquita, Antônio Francisco Severino, Karina Barbujani Varoto e Monica Cristina Oliveira.
 COMAD
O COMAD é um órgão consultivo e de assessoramento no que diz respeito à formulação de estratégias e à execução da política de prevenção à dependência química, e tem por finalidade auxiliar a Administração Pública na análise, formulação e aplicação da política de prevenção ao uso de drogas, ao tratamento e à reinserção social dos dependentes químicos e de apoio a seus familiares. De acordo com a Lei Municipal nº 3298 de 12 de novembro de 2001.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Haddad dá carteira de trabalho a dependentes químicos

Prefeito entregou as primeiras carteiras de trabalho para os beneficiados pelo programa Braços Abertos

ivulgação/Secom
Fernando Haddad entrega carteiras de trabalho para os beneficiários do “De Braços Abertos”
Fernando Haddad entrega carteiras de trabalho para os beneficiários do “De Braços Abertos”
São Paulo - O prefeito de São PauloFernando Haddad (PT), entregou na tarde desta terça-feira, 5, as primeiras carteiras de trabalho para dependentes químicos da Cracolândia, região central, beneficiados pelo programa Braços Abertos da Prefeitura.

O grupo também será o primeiro a se mudar para dois hotéis de um novo programa municipal, batizado de Autonomia em Foco.
Segundo Luciana Temer, secretária Municipal de Assistência Social e Cidadania, as duas unidades terão cerca de 220 vagas e ficam na região central: uma na Liberdade e outra no Pari.
"Esperamos que seja um espaço de construção de autonomia não só para ele (dependente químico). Não vamos estigmatizar como um local só para o Braços Abertos. Eles vão começar um processo de inclusão com outras pessoas", explicou a secretária.
Ao todo, 16 pessoas foram contratadas para trabalhar em uma empresa de limpeza que presta serviço para a Prefeitura em unidades básicas de saúde (UBSs) e hospitais municipais.
Luciana espera que o grupo possa deixar os alojamentos na cracolândia em dez dias, após a inauguração dos hotéis.
Os beneficiários que conquistaram as carteiras de trabalho serão deslocados para trabalhar como faxineiros em Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) espalhados em São Paulo.
O salário será de R$ 820, com vale refeição de R$ 9,10, cesta básica no valor de R$ 81,33 e vale-transporte.
O processo de seleção para chegar aos 16 começou com 40 inscritos no programa.
"Dessa lista, começamos uma dinâmica de conversa. Elas passaram por uma avaliação psiquiátrica para ver o quanto de fato estavam prontos. Tivemos tranquilidade com 18", afirmou Luciana. De acordo com ela, após a escolha, duas pessoas não quiseram o trabalho.
Haddad disse que a Prefeitura "tem procurado" as empresas prestadoras de serviço para programas sociais. "Se elas (as empresas) quiserem se aproximar e fazer parceria, rapidamente equacionaremos o problema."
Expectativa
A faxineira Ieda Santos Silva, de 56 anos, se diz "ansiosa" com o primeira carteira de trabalho.
"Eu sei que vou trabalhar em um CRAS da Vila Mariana. Para não atrasar, já fiz o caminho de metrô para saber quanto tempo vou demorar", afirmou, com lágrimas nos olhos. Ieda já havia chorado há pouco mais de um mês, após tirar um foto com príncipe Harry, que visitou o galpão dos varredores da Prefeitura na Cracolândia.
Para Paulo Sérgio Souza, de 36 anos, o trabalho é uma oportunidade para reencontrar a filha de 10 anos, que não vê há quase um ano.
"A dignidade eu já resgatei. Agora, o que eu mais quero é poder reencontrar minha filha", disse. Souza vai trabalhar em um CRAS na Vila Prudente, na zona leste.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

12 Passos para a Liberdade

Luta contra as drogas, trabalho constante - Por: João Emanuel

Por: JOÃO EMANUEL
Bom seria a criação de uma cadeira de combate as drogas na grade escolar infantil, para evitar e/ou conscientizar os menores sobre o mau que causam
As comunidades terapêuticas, aquelas que prestam serviço no tratamento do dependente químico, merece um olhar especial, principalmente pelas mudanças ocorridas, no que tange políticas públicas de Saúde e de Assistência Social, tenho como objetivo discutir a interface das políticas públicas com as comunidades terapêuticas, no atendimento aos usuários de substâncias psicoativa.
         Buscar resgatar o trabalho importante dos Conselhos Municipais Antidrogas, ressaltando que conforme a professora Selma Frossard Consta, em seu brilhante artigo sobre políticas públicas disse que “a expressão correta é Conselho Municipal sobre Drogas. O termo ‘antidrogas’, em todas as citações e siglas, deverá ser substituído por ‘sobre drogas’”, mas aqui vou usar antidrogas, porque fica de mais fácil intelecção.
         No lanço, o Conselho Antidrogas de Cuiabá, foi criado pela Lei Municipal 4268/2002, que inclusive orientou para que o próprio conselho criasse seu regimento interno, e ainda traz um instrumento em tanto, que é o REMAD, que são os Recursos Municipais Antidrogas.
         Dependência química é um tema extremamente importante, pois não é marcada apenas pela sua atualidade, mas principalmente pela sua complexidade, ele está inserido em um contexto social que passa, constantemente, por profundas transformações de todos os sentidos, seja social, econômica, política e cultural.
         Os centros terapêuticos, devemos entender como organismos não governamentais, em ambiente não hospitalar, com orientação técnica e profissional, onde o principal instrumento terapêutico é a convivência entre os residentes, surgiram no cenário brasileiro, ao longo dos últimos quarenta anos, antes mesmo de existir qualquer política pública de atenção à dependência química no país. As comunidades crescem e multiplicam-se, na medida em que a ineficiência e falta de foco da sociedade e por certo do poder público deixam de fazer frente a demanda que lhes são apresentadas.
         A abordagem desse tema, não pode ocorrer de forma parcial, como se houvesse apenas uma alternativa e/ou forma eficiente de atenção à dependência química. A prevenção, o tratamento, recuperação e reinserção social, bem como a redução dos danos sociais e à saúde e a redução da oferta são dimensões amplamente consideradas na legislação e nas políticas voltadas para esta questão e, todas são válidas e importantes na medida em que contribuem não apenas para a compreensão desta problemática, mas também para o seu enfrentamento.
         Acredito que uma boa iniciativa e um bom fruto para as próximas gerações, seria a criação de uma cadeira de combate as drogas na grade escolar infantil, para evitar e/ou conscientizar os menor sobre o mau que causam o consumo de drogas, o mau que causa para si e para aqueles que gostam do menor, calharia muito bem um projeto neste sentido, colocando a educação como força motriz para a redução do consumo de substâncias químicas nocivas a boa saúde do pessoa humana.
         Para tanto precisamos entender sobre a dependência e do dependente químico, sendo que não existe dificuldade em todos concordarem que a dependência química se trata de um conjunto de fenômenos fisiológicos, comportamentais e de conhecimento no qual o uso de uma substância ou uma classe de substâncias alcança uma importância muito maior para um determinado indivíduo, do que outros comportamentos que antes tinham mais valor.
         Conforme a Classificação de transtornos mentais e de comportamento apontada na classificação internacional de doenças (CID-10), uma característica marcante para taxar um indivíduo portador desta enfermidade, é o desejo (frequentemente forte chegando a ser irresistível) de consumir drogas psicoativas (no qual se encaixa também medicamentos prescritos), álcool e tabaco.
         O CID supracitado, corresponde a: i) forte desejo ou senso de compulsão para consumir substância; ii) dificuldade em controlar o comportamento de consumir a substância em termos de seu início, término ou níveis de consumo; iii) uma síndrome de abstinência quando o uso da substância cessou ou foi reduzido; iv) evidência de tolerância, de tal forma que doses crescentes são requeridas para alcançar efeitos originais; v) abandono progressivo de prazeres ou interesses alternativos em favor do uso de substâncias psicoativas; vi) persistência no uso da substância, a despeito de evidência clara de consequências manifestamente nocivas.
         As substâncias nocivas atingem o ser humano em suas 3 (três) dimensões básicas, quais sejam: i) biológica; ii) psíquica e iii) espiritual, e atualmente é reconhecida como uma das expressões da questão social brasileira, à medida que atinge todas as classes sociais.
         Sem o tratamento adequado, o estado de necessidade da substância piora com o passar do tempo, levando a destruição gradativa da pessoa, não somente atingido a ela, mas como também as pessoas de seu convívio pessoal, familiar, profissional e social, sendo que o aspecto familiar, passa a ser co-dependente químico, pois coabita o mesmo universo do portador da dependência química.
         Sobre todo o tema, temos que dar o enfoque multidimensional, ou seja, focar em prevenção, tratamento, reinserção sócio-familiar, o foco deve ser além do dependente, deve também focar em sua família, ou co-dependentes, estes são os sujeitos do processo de tratamento e não o objeto da intervenção do tratamento.
         Comunidade terapêutica tornou-se uma nomenclatura oficial a partir da Resolução 101 da ANVISA, de 30 de maio de 2001. Este termo aparece na cabeça da Resolução que estabelece as regras para as clínicas e comunidades terapêuticas. Que em seu art. 1º define o que entende por comunidade terapêutica: “serviço de atenção a pessoas com problemas decorrentes do uso ou abuso de substâncias psicoativas, segundo modelo psicossocial”, assim reconhece a existência e o trabalho destas instituições e estabelece um modelo básico para o seu funcionamento: o psicossocial, na intenção de garantir o caráter terapêutico de suas ações.
         Elas utilizam conhecimentos e técnicas científicas, na área de saúde mental, social e física, para o atendimento ao usuário de drogas que busca ajuda para o tratamento que é uma doença que deve ser todos os dias tratadas e não um simples tratamento e pronto, pois a qualquer recaída pode advir uma morte súbita, pois a quantidade de droga a ser consumida para que se atinja o clímax desejado pelo usuário varia, e, ele não reconhece mais qual quantia é a preferível e nestas vezes é que acontece a “overdose” e a consequente falência dos órgãos diante deste contexto.
         As comunidades terapêuticas se espalharam e chegam a tratar mais de 40.000 (quarenta mil) residentes e emprega mais de 10.000 pessoas pelo país. Evoluíram tanto que hoje existe Federações de comunidades terapêuticas Evangélicas (FETEB), Federação Brasileira de Comunidades Terapêuticas (FEBRACT), a Cruz Azul do Brasil e os próprios Conselhos (nacional, estadual e municipal antidrogas). O usuário passou a ter uma dimensão integral, sobrepondo somente o seu contexto social e familiar.
         Quando estudamos o tema, sabemos que este atingiu um caráter de saúde pública, são ações de prevenção do uso indevido, atenção e reinserção social, mantendo-se a repressão da produção não autorizada e do tráfico ilícito de drogas.
         Considero como marco histórico para o tema, quando em 1998 foi criada a Secretaria Nacional Antidrogas (SENAD), que agrega o Conselho Nacional Antidrogas (CONAD), relacionando-se com os Conselhos Estaduais e Municipais, sendo que o que vigora hoje em dia é Legislação de 2006 que sofre algumas alterações, mas continua com seu amago inalterado, Lei 11.343/06.
         Dentro da discussão, somos instigados a refletir se a Saúde está preparada para receber, se relacionar, capacitar e assessorar as comunidades terapêuticas, que atuam prioritariamente na proposta de abstinência e em sistema de internamento, sinceramente acho que é questão mais afetiva do que somente saúde, principalmente psicológica, da parte da assistência social e em seguida saúde, nesta sequência, esta tríade compõe o corpo de tratamento.
         Devemos frisar que estes profissionais supra devem determinar o tipo de tratamento a serem investidos para o paciente, que por sua vez funcionam das seguintes formas: i) aberta: aqui o atendimento pode ser realizado em diversas instituições, tanto pública quanto privadas, tais como Unidades Básica de Saúde, ambulatório de saúde mental ou outras instituições que ofereçam tratamento com as características desta mobilidade, sendo que estas encontram-se muito falhas no país como todo, sendo necessário recorrermos as comunidades terapêuticas, que ao meu ver deve receber recursos públicos, fiscalizados por todos os órgãos possíveis, mas que supram a lacuna deixada pelo poder público; ii) semi-aberto: sendo que nestas o tratamento é realizado no CAPS/AD (Centro de atenção Psicossocial álcool e drogas) hospital/dia sendo que este foi pensado para desenvolver ações de cuidados intensivos, visando substituir a internação integral. O paciente frequenta o serviço diariamente por oito horas diárias; iii) fechado, sendo que este ocupa o topo da pirâmide do tratamento, nos casos de maior complexidade, quando os pacientes estão comprometidos com a droga e a doença.
As internações devem ocorrer conforme a portaria nº 224/92 da Secretaria de Assistência Social, com modelo de longa permanência 30 (trinta) dias a 9 (nove) meses de tratamento.
Reafirmo que com todo este volume de tratamentos, constato que o Estado não tem condições de prover este assistencialismo devendo por conseguinte fortalecer as comunidades terapêuticas, que já trabalham e tem mecanismos para tratar do paciente, sendo que estas possuem necessidades que podem ser providas com recursos públicos, inclusive por que a dependência química entra em diversas searas inclusive a saúde pública.
Assim a grande questão é a operacionalização concreta dos princípios e diretrizes preconizadas e o reconhecimento do papel de cada instância pública e privada no atendimento à dependência química, chego até a pensar que seria o momento do poder público não esperar que as comunidades terapêuticas o procurassem, mas sim o Estado buscar localizar e conhecer as comunidades e verificar de fato a demanda que necessitam e passar a provê-las, ofertando recursos para as entidades e fiscalizá-las, seria uma ótima atitude para reduzirmos as mazelas sofridas pelo portador da doença da adicção e de sua família (co-paciente) que padece até mais que o próprio adicto.
03/08/2014 20h23 - Atualizado em 03/08/2014 20h23

Portadora de HIV dá exemplo de vida e diz estar à procura de um amor

Ieda Firmino, de 50 anos, diz que não faz questão de esconder a doença. 
Relatório mostrou que índice de infectados subiu no Brasil.


Sempre sorridente, Ieda conta que leva a vida com muita alegria (Foto: Reprodução/ TV Gazeta Sul)Sempre sorridente, Ieda conta que leva a vida com muita alegria (Foto: Reprodução/ TV Gazeta Sul)
“Só de  acordar, botaro pé no chão e respirar, já é uma vitória. Eu passei pelo vale da sombra da morte e estou aqui”. O depoimento é de Ieda Firmino, de 50 anos, que, ao contrário da maioria dos portadores de HIV, faz questão de que as pessoas ao seu redor saibam da doença. O principal motivo para isso, segundo ela, é orientar outras pessoas e disseminar informações sobre o vírus e sua forma de contaminação. E a preocupação da voluntária do Grupo de Apoio A Pessoas Vivendo com HIV/AIDS "Solidários pela Vida" (GAASV)  tem fundamento: um recente estudo divulgado pela Unaids, programa conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids, apontou que o índice de novos infectados pelo vírus no Brasil subiu, contrariando os números globais, que apresentaram queda. 

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