domingo, 7 de setembro de 2014

Pesquisa da Fiocruz indica que 20% dos usuários das cracolândias são mulheres

  • 07/09/2014 15h19
  • Rio de Janeiro
Cristina Indio do Brasil - Repórter da Agência Brasil Edição: Davi Oliveira
A Pesquisa Nacional sobre o Uso de Crack – Quem São os Usuários de Crack e/ou Similares do Brasil? Quantos São nas Capitais Brasileiras?, realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), verificou que 20% dos que frequentam as chamadas cracolândias são mulheres. O trabalho ouviu 32.359 pessoas, sendo que 24.977 responderam ao questionário nos próprios domicílios e 7.381, nos próprios locais de uso da droga.
Rio de Janeiro Usuários de crack concentram-se nas imediações das obras da Trasncarioca, na Avenida Brasil, próximo ao Complexo da Maré, zona norte da cidade (Tânia Rêgo/Agência Brasil)
As mulheres já são 20% dos usuários de crack e também a parcela mais vulnerável, segundo pesquisa nacional da FiocruzTânia Rêgo/Agência Brasil
Além de responderem os questionários, os usuários fizeram testes de HIV e hepatite, que indicaram que, entre as mulheres, 8,17% eram portadoras do HIV, índice que, nos homens, chegava a 4,01%. Com hepatite C, as mulheres representaram 2,23% dos infectados e os homens, 2,75%.
Segundo um dos coordenadores do trabalho, o médico Francisco Inácio Bastos, do Laboratório de Informação em Saúde (LIS), pertencente ao Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), o perfil das mulheres pesquisadas é muito negativo. “Até para mim, que sou acostumado a trabalhar nessa área, nunca tinha visto uma população feminina tão maltratada e tão magoada. Agressão física, abuso sexual, nenhuma assistência pré-natal. Quando me perguntam o que me chocou mais como médico, eu digo que foi ver pessoas em uma situação tão precária, precisando tanto de ajuda”, contou à Agência Brasil.
A pesquisa apontou que menos de 5% dos entrevistados permaneceram no tratamento até o último mês. Para o coordenador, ficou claro que a porta de entrada dos usuários de crack no sistema de saúde não é via tratamento da dependência química, mas por meio dos cuidados gerais de saúde, como curativos, tratamento de dente e da boca. O médico acrescentou que, no caso das mulheres, seria natural que o contato com o sistema de saúde ocorresse por necessidade de realizar o pré-natal, mas não é isso o que ocorre.
“No momento das entrevistas, 10% das mulheres relataram que estavam grávidas. O que não quer dizer que tiveram o filho, porque algumas perderam e outras abortaram. Quando se vai para o padrão desejável em termos de pré-natal, que são sete consultas, menos de 5% delas fizeram pré-natal regular”, disse. 
 O coordenador defendeu que os governos deveriam fazer um plano integrado para tratamento do abuso de substâncias químicas vinculado à rede geral de saúde e não apenas aos centros de dependência química. “A grande via do usuário grave se inserir no sistema de saúde é via sistema de saúde geral, são as UPAs [unidades de Pronto-Atendimento], são os programas de Saúde da Família, porque, para o tratamento de dependência química, a proporção que continua é muito baixa. É uma conclusão triste”, explicou.
O Icict também está fazendo uma análise da criminalidade na ausência de programas de apoio aos usuários de crack, para complementar o trabalho. Francisco Inácio Bastos disse que, o que se notou de diferença no tratamento de usuários foi o resultado obtido com a adoção de programas específicos, porque nos locais em que foram implementados houve queda de violência. “Houve uma redução global da taxa de criminalidade e houve uma vinculação dos usuários com programas gerais de saúde”, disse.
A pesquisa foi feita entre o segundo semestre de 2011 e o primeiro semestre de 2013 nas 26 capitais de estado e no Distrito Federal, dividida em três abordagens. A primeira com avaliações em todas as capitais, a segunda nas nove regiões metropolitanas e a última nas cidades pequenas e de médio porte. Agora, o instituto está lançando o livro digital sobre a pesquisa, que pode ser obtido no site do Icict.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Dependência química custa R$ 87 mil

Valor foi gasto pela Prefeitura entre janeiro e agosto para tratamento de moradores com dependência química

Publicada em 04/09/14
Erick Paiatto
Hospital Doutor Arnaldo Pezzuti Cavalcanti já conta com alguns leitos e receberá outros
Luana Nogueira
Da reportagem local
A Prefeitura de Mogi das Cruzes já desembolsou mais de R$ 87 mil com a internação de pessoas em clínicas de dependência química de janeiro até agora. Atualmente, o município custeia a permanência de cinco pessoas nas unidades especializadas no atendimento. As informações são da Secretaria Municipal de Saúde. O município aguarda que uma clínica destinada ao tratamento de dependentes químicos seja construída no Hospital Doutor Arnaldo Pezzuti Cavalcanti, no distrito de Jundiapeba. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, as obras para a construção da unidade já foram iniciadas e devem ser concluídas em 24 meses. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, das cinco pessoas que têm as internações pagas pela administração municipal, três são adolescentes e duas são adultas do sexo masculino. O valor que é desembolsado pela Prefeitura todos os meses para o tratamento dos adolescentes é de R$ 2.090 cada. Já a internação dos adultos custa aos cofres públicos mensalmente R$ 3.040 (também para cada pessoa).

O valor de R$ 87.780 pago pela administração municipal é referente às internações que foram realizadas de janeiro até o mês passado e incluem pacientes que já receberam alta médica. Os tratamentos são custeados pelo governo municipal quando ocorre alguma decisão judicial que determina o pagamen-to do atendimento.

A Secretaria de Estado da Saúde informou que atualmente existem 20 leitos que atendem dependentes químicos no Doutor Arnaldo. O atendimento começou a ser prestado em setembro de 2013 e beneficia mulheres e gestantes. Não foi informado qual é a atual taxa de ocupação dos leitos.

Segundo a secretaria, mais 62 novos leitos devem ser destinados ao tratamento de dependentes químicos tanto do sexo masculino quanto do feminino.

O Estado disse "que a internação é apenas uma das alternativas ao tratamento, solicitada somente para os casos graves e severos. A maioria dos pacientes pode ser tratada nos Caps AD das prefeituras ou em comunidades terapêuticas".

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