quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Saúde

Para ter controle, dependente alcoólico deve ter monitoramento por toda a vida

divulgação

No Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo, datado em 18 de fevereiro, a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade orienta sobre problemas físicos e sociais de pessoas que abusam de bebidas alcoólicas
da redação | 18-02-2016 06:23:19
O alcoolismo é uma dependência química e, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os níveis seguros de consumo de álcool são de três doses por dia para homens, não excedendo 15 doses semanais; e duas doses por dia para mulheres, não excedendo 12 doses semanais. Uma dose equivale uma lata de cerveja, 140ml de vinho ou 20ml de destilado. Pessoas que bebem até 56 doses semanais são consideradas bebedores problema, acima disso já é classificado como dependente químico.
“A pessoa dependente de álcool (ou mesmo o que abusa) pode ter problemas sociais, perda de produtividade laboral, conflitos familiares e acidentes, principalmente no trânsito. O álcool está associado a maior incidência de neoplasias de trato digestivo, a cirrose hepática, a hemorragia digestiva. Pode ser causa de distúrbios comportamentais e levar e perda cognitiva”, explica Hamilton Wagner, médico de família, membro da Sociedade Brasileira de Família e Comunidade (SBMFC).
O médico de família pode fazer o diagnóstico de situações de risco e identificar os pacientes dependentes, além de promover medidas educativas e tratar os casos passíveis de manejo ambulatorial. Wagner complementa que não há cura de dependência química, apenas controle. Se alguém tem problemas com álcool deve abster-se do mesmo pelo resto da vida. São raros os casos em que um alcoolista consegue voltar a um consumo social do álcool. “É necessário monitorar e apoiar paciente e famílias que apresentam este tipo de problema, há uma forte tendência familiar para repetir este tipo de padrão”, explica o médico que atua no Paraná.
Quem é o médico de família e comunidade (MFC)?
A medicina de família e comunidade é uma especialidade médica, assim como a cardiologia, neurologia e ginecologia. O MFC é o especialista em cuidar das pessoas, da família e da comunidade no contexto da atenção primária à saúde. Ele acompanha as pessoas ao longo da vida, independentemente do gênero, idade ou possível doença, integrando ações de promoção, prevenção e recuperação da saúde. Esse profissional atua próximo aos pacientes antes mesmo do surgimento de uma doença, realizando diagnósticos precoces e os poupando de intervenções excessivas ou desnecessárias. 
É um clínico e comunicador habilidoso, pois utiliza abordagem centrada na pessoa e é capaz de resolver pelo menos 90% dos problemas de saúde, manejar sintomas inespecíficos e realizar ações preventivas. É um coordenador do cuidado, trabalha em equipe e em rede, advoga em prol da saúde dos seus pacientes e da comunidade. Atualmente há no Brasil mais de 3.200 médicos com título de especialista em medicina de família e comunidade.
18 de Fevereiro - A parceria de recuperação

"Desde que eu tenha calma e assuma um compromisso com o meu Poder Superior para fazer o melhor que possa, sei que algo vai hoje cuidar de mim."
Basic Text II, p. 120

Muitos de nós sentem que o compromisso fundamental em recuperação é para com o nosso Poder Superior. Sabendo que nos falta o poder para nos mantermos limpos e recuperarmos sozinhos, entramos numa aliança com um Poder superior a nós. Comprometemo-nos a viver nos cuidados do nosso Poder Superior e, em troca, somos guiados por ele. Esta parceria é vital para nos mantermos limpos. Conseguir ultrapassar os primeiros dias de recuperação parece quase sempre ser a coisa mais difícil que já fizemos. Mas a força do nosso compromisso para com a recuperação e o poder do cuidado de Deus são suficientes para nos levar para a frente, só por hoje.
A nossa parte nesta relação é fazermos o melhor que pudermos em cada dia, vivendo e fazendo o que tivermos de fazer, aplicando os princípios de recuperação o melhor que pudermos. Prometemos fazer o melhor que podemos - não fingindo, não tentando ser super-homens, mas simplesmente fazendo o trabalho - base de recuperação. Ao cumprirmos a nossa parte desta parceria de recuperação, sentimos o cuidado do nosso Poder Superior.

Só por hoje: Vou cumprir o meu compromisso na parceria com o meu Poder Superior.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Câmara critica atendimento para dependentes químicos

 
A propósito de uma discussão sobre moradores de rua e dependentes de álcool e drogas em Sorocaba, vereadores fizeram ontem críticas às políticas públicas da Prefeitura voltadas para esse setor. A discussão começou quando o vereador Rodrigo Manga (PP) subiu à tribuna para informar que a Comissão de Dependência Química da Câmara identificou 542 moradores de rua em 18 pontos (praças e vias públicas) de Sorocaba. Segundo Manga, esse número é 55% maior se for levado em conta o levantamento feito em julho de 2015 pela Secretaria de Desenvolvimento Social, que havia identificado 350 moradores de rua na cidade. Ele lembrou que muitos dos moradores de rua têm problemas com vícios de álcool e drogas.
  Na avaliação de Manga, esse crescimento mostra que as políticas para o setor não funcionam porque a estrutura existente não é capaz de dar o devido atendimento. Ele disse que as duas unidades do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de álcool e drogas, em vez de aguardarem a procura por parte dos carentes, precisariam ir até eles. Uma unidade está localizada na Vila Angélica, na zona norte, e outra, no centro da cidade. Manga afirmou que no ano passado levou a necessidade de mudança de atuação ao prefeito Antonio Carlos Pannunzio (PSDB) e à vice-prefeita e secretária de Desenvolvimento Social, Edith Di Giorgi, mas ouviu como explicação que os Caps seguem legislação federal.
 


Efeito do Facebook sobre o
cérebro é semelhante ao da cocaína. https://t.co/4qhx0p6cZc

17 de Fevereiro - Levar a mensagem, não o adicto
"Podemos analisá-lo, aconselhá-lo, podemos rezar por ele, tentar ser razoáveis, podemos ameaçá-lo, sová-lo, ou aprisioná-lo, mas ele não irá parar enquanto não quiser parar."
Texto Básico, p. 74
Uma das verdades mais difíceis que temos de enfrentar na nossa recuperação talvez seja a de que somos tão impotentes perante a adicção de alguém quanto o somos perante a nossa própria. Podemos pensar que, porque tivemos um despertar espiritual nas nossas vidas, deveríamos ser capazes de persuadir outro adicto a encontrar recuperação. Mas há limites para aquilo que podemos fazer para ajudar outro adicto. Não podemos forçá-los a parar de usar. Não podemos dar-lhes os resultados dos passos ou crescer por eles.
Não podemos tirar-lhes a solidão e a dor. Não há nada que possamos dizer para convencer um adicto assustado a trocar a miséria familiar da adicção pela incerteza assustadora da recuperação. Não podemos entrar na pele de outras pessoas, mudar os seus objectivos, ou decidir o que é melhor para eles. No entanto, se nos recusarmos a tentar exercer esse poder sobre a adicção de alguém, podemos ajudá-lo. Eles podem crescer se os deixarmos enfrentar a realidade, por muito dolorosa que seja. Eles podem tornar-se mais produtivos, de acordo com o seu próprio conceito, desde que não tentemos fazê-lo por eles.
Eles podem tornar-se a autoridade das suas próprias vidas, se nós formos apenas autoridades nas nossas. Se conseguirmos aceitar tudo isto, podemos tornar-nos aquilo que é suposto sermos - portadores da mensagem, não do adicto.
Só por hoje: Vou aceitar que sou impotente, não apenas perante a minha própria adicção, mas também perante a adicção de todos os outros. Vou levar a mensagem, não o adicto.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Usado como moeda de troca para o sexo, crack impulsiona a contaminação pelo HIV

Taxa de usuárias da droga infectadas é 20 vezes maior que a da população em geral



Cristina Horta/EM/D.A Press
Morador eventual da cracolândia da Rua Itapecerica, no Bairro da Lagoinha, o soropositivo Davi*, de 48 anos, sabe que é portador do vírus HIV há mais de 10 anos e não usa camisinha nas relações sexuais com mulheres, sendo que muitas delas cedem o corpo em troca de pedras de crack. Se a incidência de pessoas vivendo com HIV/Aids é de 0,4 a cada 100 mil habitantes no país, entre os craqueiros, a proporção é mais de 12 vezes maior, atingindo cinco a cada 100 mil. Entre as mulheres que usam a droga, devido à exigência de dispensar o preservativo para trocar sexo por pedra, a taxa alcança oito a cada 100 mil craqueiras, ou seja, número 20 vezes superior à média da população em geral, segundo os últimos estudos do Ministério da Saúde.           Se os números são preocupantes, a realidade do crack associada à disseminação pelo HIV é ainda mais desafiadora. Na prática, não se pode acusar o dependente químico viciado em pedra de estar contaminando outras pessoas de propósito. Nessa população, leva-se em consideração a comorbidade da dependência química para isentar da culpa o craqueiro, que está com seu estado de consciência alterado, e, pelo mesmo motivo, poderá não ter forças para aderir a um tratamento anti-HIV e dar continuidade a ele, ingerindo as cápsulas antirretrovirais diariamente.
Em uma novela televisiva, a atriz Grazi Massafera comoveu quem assistiu à jornada da personagem que se viciou na pedra, com cenas reais gravadas na cracolândia de São Paulo, mostrando a depauperação física e mental da mulher e sua flagrante humilhação até o momento do clímax em que ela oferece o seu corpo, o único bem disponível, para se livrar da fissura do crack. “Para quem não toma o medicamento, a Aids continua sendo exatamente igual ao que era antes. Não fazemos milagres. O governo federal e mesmo as autoridades locais não têm condições de entrar nas cracolândias, abrir a boca do paciente e enfiar dentro o remédio todos os dias”, desabafa Fábio Mesquita, diretor do Departamento de DST/Aids do Ministério da Saúde.
Signatária das Metas do Milênio da Organização das Nações Unidas (ONU), Belo Horizonte está bem perto de atingir o objetivo de que, até 2020, 90% das pessoas vivendo com HIV estejam diagnosticadas e, destas, 90% já estejam em tratamento, entre as quais 90% com a carga viral controlada ou indetectável. “Lógico que ainda temos muitos desafios pela frente, em função das fragilidades psíquicas e sociais dos nossos pacientes”, defende a médica do Eduardo de Menezes Tatiani Fereguetti, coordenadora do Programa Municipal de Atenção às DSTs, Aids e Hepatites Virais.
Com base nos parâmetros relatados no parágrafo anterior, os últimos números mostram que, das aproximadamente 10 mil pessoas vivendo atualmente com HIV na capital mineira, 88% já estão diagnosticadas e, destas, 94% iniciaram o tratamento, superando, portanto, a meta da ONU de 90%, quatro anos antes do prazo marcado. Dessas 94% em tratamento, 88% estão com a carga viral controlada. “BH se destaca em relação ao restante do país e até do mundo, oferecendo testes rápidos nas UPAs, centros de saúde e maternidades públicas da cidade. Uma vez que se trata o HIV, a chance de transmitir o vírus é menor, então, tratar também é uma estratégia de prevenção”, compara a médica, lembrando ainda a distribuição de preservativos, gel lubrificante e camisinhas aromatizadas para estimular o sexo oral seguro.
Para tentar incluir as restantes 1,2 mil pessoas sem diagnóstico do HIV/Aids, Tatiani Fereguetti explica que a próxima estratégia do BH de Mãos Dadas contra a Aids, programa municipal que completou 15 anos em dezembro, será treinar e capacitar jovens para trabalhar entre seus pares, prostitutas em seus locais de prostituição, travestis e transexuais, de maneira que a informação chegue à fonte com a linguagem desejada, sem subterfúgios.
Cruzada por reparação judicial
Ao receber o diagnóstico da boca do próprio namorado, André* diz ter perdido o chão. Sentiu-se traído, mas teve a sorte de ter sido orientado pela médica do posto de saúde a buscar o prontuário do parceiro, na região onde o mesmo deveria ter feito o exame anti-HIV. Aos poucos, com alguma frieza e talento para investigação, foi descobrindo que o companheiro havia sido garoto de programa no passado recente e mais: que sabia do próprio diagnóstico, ao contrário do que havia jurado. “A partir daquele dia, eu o desamei. Mas consegui ficar ao lado dele até reunir todos os papéis para entrar na Justiça contra ele por danos morais. Meu sonho é estar diante dele mais uma vez nos tribunais e dizer: eu te perdoo por não me contar, mas não te isento da culpa.”
Na grande maioria dos casos, a criminalização do contágio não costuma ser incentivada pela classe médica especializada em infectologia. “Na verdade, a não ser em caso de estupro ou de violência doméstica, pressupõe-se que uma relação sexual seja consensual e que, portanto, ambas as partes tenham confiança uma na outra. Não faz sentido criminalizar, se os dois concordaram em abrir mão do uso da camisinha”, pontua a médica Tatiani Fereguetti.
Segundo o infectologista Dirceu Grecco, a relação se equipara à da mulher que se previne tomando pílulas, mas acaba engravidando. A probabilidade de contrair o HIV em relações aleatórias, saindo por uma noite com um desconhecido, é de uma a cada 400 pessoas em Belo Horizonte, tomando por base as taxas atuais de infecção. “Você pode tentar processar o parceiro, mas ele, na verdade, só confiou na pessoa errada, como as meninas que ficam grávidas dizendo que tomavam pílulas”, acredita o médico, que insiste que a única maneira concreta de se prevenir contra o HIV e outras DSTs é usando o método de barreira, ou seja, a camisinha, hábito mais disseminado entre casais homossexuais.
Nosso personagem André mantém sua cruzada pessoal tentando incriminar o ex-namorado por ter atentado contra a vida dele ao ter consciência de que era portador de um vírus letal e omitir a informação. Para juntar provas, André abriu inquérito na Polícia Civil, juntou os exames do posto de saúde e foi orientado pela Defensoria Pública de Minas Gerais a entrar com pedido de união estável com o parceiro, seguido da dissolução da união estável, como forma de comprovar o vínculo. Para demonstrar que seu comportamento não era promíscuo, conforme lhe foi exigido, juntou aos autos os testes de HIV realizados três meses antes, ao fazer um procedimento cirúrgico estético. “Ainda hoje tenho sonhos com ele e nesses três anos não consegui me envolver com mais ninguém. Na época, ele poderia ter aberto o jogo e me dito: estou te amando, mas sou soropositivo e não sei como resolver isso. Eu juro que teria aceitado.”
Arte EM


6 de Fevereiro - Sentimentos de fé

"Quando nos recusamos a aceitar a realidade de hoje, estamos a negar a fé no nosso Poder Superior: Isto só pode trazer-nos mais sofrimento."
IP nº 8, Só por hoje

Há dias que não correm como gostaríamos. Os nossos problemas podem ser tão simples como um atacador solto ou termos de estar na fila do supermercado. Ou podemos estar a passar por algo mais sério, tal como perder o emprego, a casa ou um ente querido. Seja o que for, muitas vezes acabamos à procura de uma forma de evitar os nossos sentimentos, em vez de simplesmente reconhecermos que esses sentimentos são dolorosos. Quando parámos de usar, ninguém nos prometeu que tudo iria correr como nós gostaríamos. De facto, podemos ter a certeza de que a vida vai continuar, quer estejamos a usar ou não.
Iremos ter dias bons e dias maus, sentimentos confortáveis e sentimentos dolorosos, mas já não precisamos de fugir deles. Podemos sentir dor, perda, tristeza, raiva, frustração - todos esses sentimentos que evitámos com as drogas. Descobrimos que podemos ultrapassar essas emoções limpos. Não iremos morrer e o mundo não irá acabar só porque temos sentimentos desconfortáveis. Aprendemos a acreditar que podemos sobreviver àquilo que cada dia nos trouxer.

Só por hoje: Vou demonstrar a minha confiança em Deus, vivendo o dia tal como ele é.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Ator de Brasília conta sua história com o HIV no musical 'Boa Sorte'

Ator de Brasília conta sua história com o HIV no musical 'Boa Sorte'

Projeto fotográfico com modelos nus chama atenção para o diálogo sobre HIV

Projeto fotográfico com modelos nus chama atenção para o diálogo sobre HIV
5 de Fevereiro - Um despertar do espírito


"A última coisa que esperávamos era um despertar do espírito."
Foram poucos de nós os que chegaram à primeira reunião de Narcóticos Anônimos ansiosos por fazer um inventário pessoal ou acreditando que havia um vazio espiritual nas nossas almas. Não tínhamos qualquer noção de que estávamos prestes a embarcar numa viagem espiritual que iria acordar os nossos espíritos adormecidos. Como um despertador barulhento, o Primeiro Passo traz-nos um estado de semiconsciência - apesar de, nesta altura, podermos não ter a certeza se queremos sair da cama ou continuar a dormir só mais cinco minutos. A mão suave que nos abana o ombro à medida que aplicamos o Segundo e Terceiro Passos faz-nos levantar, espreguiçar e bocejar.
Precisamos de esfregar os olhos para escrever o Quarto Passo e partilhar o nosso Quinto. Mas, conforme vamos trabalhando o Sexto, Sétimo, Oitavo e Nono Passos, começamos a notar uma nascente no nosso caminho e o esboço de um sorriso nos nossos lábios. Os nossos espíritos cantam no duche, quando fazemos o Décimo e o 11° Passos. E então praticamos o 12°, deixando a casa em busca de outros para acordar. Não precisamos de passar o resto das nossas vidas em coma espiritual. Podemos não gostar de nos levantar de manhã mas, uma vez fora da cama, ficamos quase sempre contentes por o termos feito.

Só por hoje: Vou usar os Doze Passos para despertar o meu espírito adormecido.
OPINIÃO
 
Domingo, 14 de Fevereiro de 2016, 11h:27
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Transmitir HIV (aids) é crime

Odilon de Oliveira
Odilon de Oliveira – Juiz Federal
O ponto de vista anterior abordou preconceito contra portadores do vírus HIV e doentes de AIDS. O simples portador tem o vírus, mas os sintomas ainda não se manifestaram. Passa a ser doente de AIDS o portador que sofre dos sintomas. A lei 12.984/2014 define o crime de preconceito em relação a qualquer das duas situações.
O portador ou o doente que, com a intenção de transmitir o vírus, pratica relação sexual ou qualquer outro ato, comete crime grave, previsto no artigo 129, § 2º, II, do Código Penal, ficando sujeito a prisão de dois a oito anos. Trata-se de ofensa a saúde de outrem, resultando não só perigo de vida, mas enfermidade incurável. A ciência, conquanto tenha encontrado tratamento, ainda não descobriu a cura da AIDS. A doença não é apenas grave, mas incurável também.
O Superior Tribunal de Justiça, em 2012, decidiu desta maneira: “na hipótese de transmissão dolosa de doença incurável, a conduta deverá será apenada com mais rigor do que o ato de contaminar outra pessoa com moléstia grave, conforme previsão clara do art. 129, § 2.º inciso II, do Código Penal. A alegação de que a Vítima não manifestou sintomas não serve para afastar a configuração do delito previsto no art. 129, § 2, inciso II, do Código Penal. É de notória sabença que o contaminado pelo vírus do HIV necessita de constante acompanhamento médico e de administração de remédios específicos, o que aumenta as probabilidades de que a enfermidade permaneça assintomática. Porém, o tratamento não enseja a cura da moléstia”.
Quem tem o vírus (HIV) ou doença (AIDS) deve se conscientizar de que a solução não é a disseminação criminosa do mal. A resignação e o controle emocional fazem bem ao próprio e às pessoas em geral. Há medicamentos que controlam a doença, o que proporciona ao paciente uma vida praticamente normal, desde que siga a prescrição médica.
Com AIDS ou sem ela, o ser humano deve ser, na terra, um instrumento de transformação de si próprio e da vida dos outros. Uns têm AIDS, outros têm câncer ou outra doença grave. Uns têm as pernas, outros não. Uns são cegos, outros enxergam. Eu devo me aceitar como sou, feio ou bonito, alto ou baixo. A melhor qualidade é aquela que cada um de nós carrega no seu coração.
Tu és apenas um inquilino da casa onde mora, ainda que tua seja. És inquilino da humanidade. Tua vida e a dos outros não pertencem a ti. Logo, és inquilino também da vida que Deus te deu: “todos vão para um lugar: todos são pó, e todos ao pó tornarão” (Eclesiastes 3:20).

*Juiz Federal Odilon de Oliveira

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Cristina Horta/EM/DA Press
Nem todos os soropositivos e soropositivas sobreviventes do HIV/Aids deram conta de sair do armário em 35 anos de epidemia no mundo, assumindo publicamente sua sorologia. Ainda que a discriminação a portadores do HIV e doentes de Aids esteja proibida pela Lei Federal 12.984, assinada pela presidente Dilma Rousseff em junho de 2014, o fantasma do preconceito permanece à espreita. Portadores do vírus como a evangélica Maria* (nome fictício), de 60 anos, preferem se fazer invisíveis nos ambientes de trabalho, igrejas e universidades a ficar eternamente marcados por uma doença relacionada à promiscuidade sexual e uso de drogas. Ela pegou o vírus há 17 anos relacionando-se com o companheiro, com quem estava amigada e tinha uma filha, embora soubesse que o homem mantinha uma amante. Depois que o marido partiu com Aids, entrou em depressão, até conhecer a instituição de apoio a soropositivos Vhiver-BH, onde encontrou com quem podia conversar. O grupo fechou as portas.

Nas redes sociais, grupos  de apoio a soropositivos, protegidos pelo anonimato e muitas vezes resguardados sob falsos perfis, se multiplicam, permitindo a troca de informações entre novos infectados, que muitas vezes se recusam a buscar tratamento. “Desde que descobri meu diagnóstico tenho andado refém do HIV. Contei a verdade para meu namorado, que não reagiu bem e me abandonou. Estou me sentindo sujo, promíscuo. Parei de fazer faculdade e me tranquei no quarto, não tenho coragem de contar minha história a ninguém. Depois de acompanhar esses links por mais ou menos um ano, tomei coragem de cutucar vocês. Podem me dizer se estou morrendo?”

Outra história que chama a atenção é a de um homem heterossexual do Sul do país que, ao fazer um check-up pedido pelo empregador, descobriu ser portador do HIV por transmissão vertical, ou seja, de nascença. Só então lhe foi revelado que havia sido adotado nos primórdios da epidemia. Sua maior dúvida era se poderia realizar o sonho de se casar e de ser pai. Outro, que atuava como um atendente  em hospital particular,  queria saber onde poderia refazer em sigilo, no sistema público, os testes de sua carga viral, de modo que a sorologia nunca passasse a constar do prontuário do seu convênio de saúde, vinculado diretamente à empresa.
Cristina Horta/EM/D.A Press

“Na verdade, o programa DST/Aids não está às mil maravilhas, como tenta nos convencer o governo federal. Querem que, em tempo recorde, as pessoas com HIV passem a viver em uma pretensa normalidade”, diz Valdecir Buzon, que na década de 1990, fundou o Vhiver BH, onde calcula ter atendido até 8 mil pessoas por mês na antiga casa pintada de azul, no Bairro Funcionários, sede da primeira academia de ginástica voltada para portadores de HIV no país. Hoje, a casa está em ruínas. Desde a interrupção dos atendimentos, quatro jovens que eram mantidos na faculdade por bolsas de estudo largaram os cursos e, segundo Buzon, outras cinco pessoas tentaram o suicídio. Pelo menos duas desistiram da vida controlada por medicamentos.

Outras entidades, como o Grupo de Apoio às Pessoas com Aids (Gapa) de BH, que tiveram papel central para pressionar as autoridades no auge da epidemia, também estão desativadas. Há dois anos, o Vhiver-BH funciona precariamente na casa em ruínas, atolado em dívidas, aguardando transferência para outro imóvel prometido no Bairro da Floresta, mas ainda sem data confirmada. “O soropositivo não é movido apenas a coquetel de medicamentos. Ele continua precisando de um grupo de apoio e de aconselhamento para lidar com as suas novas questões”, defende Buzon, que penhorou o próprio carro e apartamento em prol da entidade, que passou a carregar nas costas, quase que literalmente.

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Trabalhos voltados à Atenção Primária, Secundária e Acessoria em Dependência Química. E-Mail:dubranf@gmail.com

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