segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

ONG diz que licenciamento compulsório de remédios para aids baixa custos do tratamento | Agência Brasil

ONG diz que licenciamento compulsório de remédios para aids baixa custos do tratamento | Agência Brasil

domingo, 15 de dezembro de 2013

Cura da aids ainda está distante
Um dos descobridores do vírus HIV, o pesquisador americano Robert Charles Gallo acredita que uma vacina definitiva não está próxima. Ele e sua equipe também foram pioneiros no desenvolvimento do teste de HIV - e estiveram entre os primeiros a relacionar o vírus como causa da aids. Em entrevista exclusiva ao Terra, ele afirmou que vem trabalhando em uma vacina preventiva contra a aids, que deve entrar em testes clínicos em 2014. Embora destaque os avanços que teve em suas pesquisas, o cientista admite que ainda há um longo caminho a ser percorrido.
Os pesquisadores destacam que existe somente um caso de cura "esterilizadora" conhecido do HIV, de um paciente que recebeu um transplante de medula.
Vacina experimental e drogas mais eficazes
Em setembro, cientistas divulgaram que uma vacina experimental contra a aids conseguiu livrar um grupo de animais do vírus da imunodeficiência símia (SIV, similar à "versão" humana, o HIV). Além disso, o resultado se mostrou persistente: alguns dos animais já estão há três anos sem sinais do SIV e isso, afirmam os cientistas, pode persistir por toda a vida deles. O problema com o HIV e o seu "irmão" símio é que esses vírus mantêm "reservas" que se manifestam após o sistema imunológico voltar ao normal. 
No mesmo mês, cientistas conseguiram pela primeira vez determinar a estrutura de um dos dois coreceptores utilizados pelo vírus HIV para entrar no sistema imunológico dos humanos - e informaram que esperam, com isso, contribuir para o desenvolvimento de medicamentos mais potentes contra a doença. Através de uma imagem em alta resolução, os pesquisadores poderão analisar melhor a estrutura e, assim, desenvolver drogas com maior eficácia no combate ao causador da aids.
A doutora Deborah Persaud, uma das autoras do estudo, participou do anúncio em Atlanta, nos Estados Unidos Foto: Divulgação
Cientistas anunciam cura funcional do HIV em criança nos EUA
Foto: Divulgação
Avanços brasileiros
Uma abordagem diferente no desenvolvimento da vacina, que visa as regiões constantes do vírus e se mostrou eficaz em camundongos, é a esperança do pesquisador da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) Edecio Cunha Neto, um dos responsáveis pelo projeto denominado HIVBr18, patenteado por ele e seus colegas Jorge Kalil e Simone Fonseca. De acordo com o pesquisador, o motivo para que ainda não se tenha uma vacina contra o HIV reside em sua alta taxa de mutação. A ideia dos pesquisadores brasileiros é que a vacina se foque apenas nas regiões mais conservadas (constantes) do HIV, que são iguais para pessoas diferentes e não apresentam mutação.
A vacina brasileira, que começou em novembro a ser testada em macacos, pretende aumentar a reação dos imunizados ao vírus, diminuindo a capacidade de transmissão e melhorando a qualidade de vida do paciente. Depois de dois anos, se tudo der certo, chegará a vez dos testes com humanos. O ensaio clínico de fase 1 terá uma população saudável, com baixo risco de contrair o HIV, que será acompanhada por vários anos.
Além do alcance das drogas atuais
Os médicos poderão um dia controlar a infecção pelo HIV em pacientes de uma nova maneira:injetando um conjunto de anticorpos destinados a combater micro-organismos nocivos. É o que apontam dois estudos publicados em outubro. Testada em macacos, essa estratégia reduziu significativamente os níveis de um "primo" do HIV no sangue. Os resultados também sugerem que um dia a tática pode ajudar a destruir o vírus da aids nos locais em que se esconde no corpo, algo que os medicamentos aplicados atualmente não conseguem fazer.
Ainda em outubro, um grupo de pesquisadores suíços elaborou o primeiro mapa de resistência humana ao vírus da aids, que mostra a defesa natural do corpo contra a doença, um avanço que poderá ter aplicações como a criação de novos tratamentos personalizados. Através da pesquisa com cepas do vírus HIV em um hospedeiro humano, os pesquisadores puderam identificar mutações genéticas específicas, um sinal que reflete os ataques produzidos pelo sistema imunológico.
Desafio
Desde a identificação do retrovírus, passaram-se 30 anos. Embora o ritmo de novas infecções tenha diminuído, o vírus HIV é portado hoje por aproximadamente 35 milhões de pessoas no mundo. Do início da década de 1980 até junho de 2012, o Brasil teve 656.701 casos registrados de aids (condição em que a doença já se manifestou), de acordo com o último Boletim Epidemiológico.
Com informações da GHX Comunicação e as agências AP, Brasil, EFE e Reuters.

Combate à aids: cura funcional de bebê e vacina contra o HIV são novidades

O ano de 2013 foi marcado por muitos avanços na pesquisa contra a síndrome da imunodeficiência adquirida (aids, na sigla em inglês) e o combate ao causador da doença, o vírus da imunodeficiência humana (HIV). Além de anunciar que um bebê infectado passou por tratamento e hoje não tem mais níveis detectáveis do vírus nem sinais da doença, cientistas usaram até radiação para destruir populações de vírus HIV em amostras de sangue de pacientes que passam pelo tratamento antirretroviral. Confira, a seguir, as descobertas do ano que nos deixaram mais próximos da cura da aids.
Em março, cientistas anunciam a cura funcional do HIV em uma criança nos Estados Unidos. O paciente de 2 anos, que recebeu o vírus da mãe, foi tratado com drogas antivirais nos primeiros dias de vida e não tem mais níveis detectáveis do vírus nem sinais da doença. Os pesquisadores afirmam que a pronta administração dos medicamentos - que o paciente recebeu nas primeiras 30 horas de vida - pode ter levado à cura do bebê por ter impedido a formação de "reservas" do vírus. A cura funcional ocorre quando o vírus, apesar de não desaparecer do organismo, entra em remissão e o paciente não precisa mais de remédios. O anúncio, porém, foi recebido com cautela por especialistas.
Pesquisas apontaram que tratar pacientes logo depois da contaminação pelo HIV pode bastar para garantir uma "cura funcional" da aids, pelo menos em uma pequena parcela de pessoas que recebem um diagnóstico precoce. A revelação foi feita no mesmo mês em que médicos do Mississippi (EUA) anunciaram a cura de uma menina norte-americana que nasceu de mãe soropositiva e foi tratada logo após o parto, alcançando a chamada "cura funcional". O tratamento rápido logo depois da infecção pelo HIV pode ser suficiente para causar, em até 15% dos pacientes, essa cura funcional.

domingo, 24 de novembro de 2013

22/11/2013 - 14h55

De fevereiro de 2011 a setembro de 2013, o projeto "Quero Fazer" fez 23.038 testes de HIV nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Recife e Brasília, encontrando uma prevalência média de 4% de pessoas infectadas com o HIV. Esses e outros dados do projeto foram divulgados na manhã dessa sexta-feira, 22 de novembro, em São Paulo, no Encontro Nacional de Equipes do Programa “Quero Fazer”.

O projeto, que existe desde 2008, também treinou 140 pessoas e realizou 1.911 atividades de prevenção em campo. A estimativa é de que tenham atingido mais de 137 mil pessoas -- dessas, 13 mil são das populações mais vulneráveis ao HIV, ou seja,  os homens que fazem sexo com homens (HSH), travestis e transexuais, que são, na verdade, o foco do projeto.

Na opinião de Beto de Jesus, um dos coordenadores do "Quero Fazer", o programa não é estigmatizante para essas populações. Segundo ele, esse era um medo do início do projeto, mas as populações têm uma boa relação com o projeto.

Dos 23 mil testes, 89 foram realizados em Fortaleza, onde o serviço é mais recente, 3.214, no Rio de Janeiro, 4.506, em São Paulo, 5.615, no Distrito Federal e 9.614, em Recife. Cerca de metade dos testes foram realizados nas populações específicas e a outra metade na população em geral.

Chama a atenção dos realizadores do "Quero Fazer" a grande quantidade de jovens entre 18 e 30 anos que realiza o teste, além das lésbicas representarem uma demanda crescente. Em Recife, há ainda um número maior de testagem em pessoas com mais de 50 anos.

Prevalência de HIV
Em relação às pessoas diagnosticadas com o vírus HIV nos testes realizados pelo "Quero Fazer", o perfil médio é formado pela população masculina, homossexual e na faixa etária entre 18 e 25 anos.

A prevalência de resultado positivo foi, em média, de 4%, mas com variações entre 2% (realizado no trailer de Recife) a 12,7% (testes realizados na ONG associada no Rio de Janeiro). Em São Paulo, o índice fica por volta de 5,1%, em Fortaleza, 3,3% e Brasília, 2,2%.

Embora o projeto tenha sido concebido para a testagem do vírus da aids,  ele também realiza testes de outras DSTs e hepatites virais,  mas os dados dessas não estão sistematizados como os de HIV. Em Fortaleza, a prevalência da sífilis ficou em 13,7%, dado que preocupa os gestores. Segundo Beto de Jesus, nas outras capitais os índices são similares.

Aids em São Paulo

Na segunda mesa da manhã, alguns gestores de regiões que contam com a iniciativa do "Quero Fazer" comentaram sobre a importância do projeto no acesso ao diagnóstico e no combate à epidemia. Eliana Gutierrez, coordenadora do Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo, também aproveitou a oportunidade para comentar alguns dados epidemiológicos do município, que constam do próximo Boletim Epidemiológico, ainda não divulgado.

Os dados apresentados pela gestora mostram a queda da mortalidade e da letalidade da aids e da incidência de HIV em homens e mulheres. No município de São Paulo, a epidemia está concentrada em jovens, homens e na região central. Em 2012, foram 779 óbitos decorrentes da aids, 21%  menos do que em 2007.

“Mas os dados não são homogêneos”, lembrou Eliana. “Embora tenhamos índices bons, de um modo geral, temos também índices preocupantes”. Entre eles, a incidência e a mortalidade na população negra, que tem índices duas vezes maiores do que a população branca. “Por isso, enfrentar o racismo é tão necessário, seja ele institucional ou não”, completou. Segundo a gestora, para combater a epidemia na cidade é necessário territorializá-la, focar nos jovens, nos HSH e na população negra.

“Aprendemos muito com o "Quero Fazer" e vimos que é uma iniciativa com potencial muito alto para diagnosticar. Aprendemos que concentrar a testagem é altamente eficiente”, finalizou Eliana.

Nana Soares



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